Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

31
Mai 06

Novamente os professores, todos naturalmente porque não foram abertas excepções. Agora responsabilizados por não combaterem o insucesso escolar. Na condução do governo existe uma política de confrontação com interesses e culturas profissionais consideradas ilegítimas. É uma orientação conduzida em nome da esquerda e do socialismo. Dando de barato as questões ideológicas, certo é que esta forma de fazer política, impossível num governo de direita que seria confrontado com uma enorme conflitualidade social, tem feito as delícias da opinião publicada, ávida de alguém “que mostre pulso de ferro” e que castigue os “interesses instalados”.Louva-se a coragem e a firmeza. E, a fazer fé nas sondagens, este modo de enfrentar os problemas, não tem abalado significativamente os índices de popularidade do Governo. Por mim tenho dúvidas que este seja o caminho. A história ensina-nos que as formas de “democracia musculada”correm sempre o risco de os regimes se encantarem com o “músculo” e esquecerem a democracia. O tempo dirá se estamos perante uma estratégia ou apenas perante um método. Se estamos perante a estratégia de construir um país diferente e melhor ou apenas perante uma forma particular de fazer política.

publicado por José Manuel Constantino às 08:40

30
Mai 06

Sem nos apercebermos somos permanentemente prisioneiros de uma lógica de pensamento único quando se trata de avaliar uma participação desportiva nacional no contexto de uma grande competição internacional como o é um campeonato do mundo de futebol. A pressão é tanta e o condicionamento mediático tão hegemónico que quem não alinha pela ortodoxia dominante quase tem de se justificar ou pedir desculpa. Um golpe de asa publicitário de uma cadeia de televisão e de um grupo bancário, com o apoio logístico, material e financeiro da administração pública em torno da bandeira nacional é visto como se tratasse de uma acto de generosidade e fulgor patrióticos. A arrogância de um seleccionador é apreciada como sinal de carisma e de liderança. E um município endividado que compra a presença da selecção de futebol no seu território um acto que “enche de orgulho os alentejanos”.

Este país não é o mesmo país que em 1945 recebia com alegria em pleno Estádio Nacional o panfleto mandado distribuir por Salazar “O que nós queremos é futebol”.Há muita diferença desde logo o de se poder ter a liberdade de exercer uma acção critica. Mas existe alguma similitude na matriz cultural que, em torno de um grande eventos desportivo, oculta as condições concretas em que decorre e descontextualiza o respectivo modo de produção. Talvez fosse de voltar a Hegel e à sua crítica da alienação. Sei que o tema não é cómodo mas é a liberdade de pensar o que também se joga no modo como se aprecia e interpreta este Mundial. Para além dos golos, dos resultados e do vencedor.

publicado por José Manuel Constantino às 09:00

29
Mai 06

Em Janeiro de 2003 foi concluído um trabalho cujo objectivo era o de definir uma estratégia de desenvolvimento do desporto nacional para os próximos dez anos.Oa autores eram ,António Cabral Faria,Francisco Sobral,José Manuel Constantino e Luís Bettencourt Sardinha.Por vicissitudes várias esse trabalho não passou do  conhecimento de um circulo restrito de personalidades e entidades.Vai agora ser dado público conhecimento sobre a forma de livro.Maria José Carvalho assina o prefácio e a ele se juntam dois trabalhos originais da responsabilidade de Francisco Sobral e José Manuel Constantino.Num mundo em constante mutação e com um desporto que acompanha essa dinâmica este trabalho sofrerá a erosão do tempo.Mas fica como um contributo aos que se interessam pelas políticas desportivas e pelo desenvolvimento do desporto nacional

publicado por José Manuel Constantino às 09:15

28
Mai 06

É moda na comunicação social saudar tudo quanto se entende como um ataque ao poder das corporações. Assim foi com os médicos, com os professores, com os juízes. Assim foi agora com os farmacêuticos. Mas quando alguém,ainda que de modo desastrado, ataca a corporação dos jornalistas a “família” reúne para na praça pública desfazer quem ousa colocar em causa o poder dos que têm como exercício favorito colocar em causa os outros. Mantenho por isso o que aqui já escrevi: o que Manuel Maria Carrilho denuncia pode ser um caso de polícia, mas é seguramente um problema de ética e deontologia dos jornalistas. Que neste caso preferem fragilizar quem derrotado está – muito por culpa própria, convém dizê-lo - do que discutir o modo com se faz  jornalismo político em Portugal.

publicado por José Manuel Constantino às 11:27

27
Mai 06

É de saudar a proposta do Governo de acabar com o regime de protecção aos farmacêuticos que permitia apenas a estes, serem proprietários das farmácias.Mantendo, o que está correcto, a direcção técnica das farmácias entregue aos farmacêuticos a nova lei permite que qualquer cidadão que o pretenda e para o efeito tenha meios possa candidatar-se á abertura de uma farmácia.O Partido Socialista que agora no Parlamento aprovou a proposta do Governo é o mesmo que em 1999 impediu que um projecto de lei no mesmo sentido fosse apresentado pelo então deputado socialista Strecht Monteiro.Passaram sete anos e apesar de ser muito tempo é sempre tempo para corrigir o que está mal.

publicado por José Manuel Constantino às 17:19

26
Mai 06

A África dos 900 milhões de pessoas,54 países,a maioria subdesenvolvidos e uma esperança média de vida que não ultrapassa os 46 anos.

A África do ouro,dos diamantes,do petróleo e das madeiras.

A África da fome,da pobreza,da guerra, da desigualdade e da injustiça.

A África o fracasso do Ocidente.

publicado por José Manuel Constantino às 09:37

23
Mai 06

A ler na edição de hoje do jornal Público ( pág.25) as declarações de António Nóvoa,Reitor da Universidade de Lisboa:"a escola está sufocada por excesso de missões e terá de recentrar-se nas actividades escolares" sendo necessário "menos ideologia e mais resultados".Ao querer responder a tudo deixou de responder ao essencial:uma instituição de ensino.A não perder.

publicado por José Manuel Constantino às 08:53

22
Mai 06

Quando frequentei a escola e o liceu, os intervalos entre as aulas, os furos e as faltas dos professores eram aproveitados para jogar á bola. Os recreios e os poucos espaços livres ocupados com “futeboladas”. As balizas eram feitas com as pastas dos livros ou com simples pedras. A bola era uma companhia tão ou mais importante que os cadernos e os livros. O jogo de futebol era o dominante.

Anos mais tarde constatámos que a bola de basquetebol começou a rivalizar com a de futebol. Ensaiavam-se lançamentos e jogava-se informalmente. Os tempos livres eram ocupados a praticar desporto. Sempre mais os rapazes que as raparigas. Mas recreio de uma escola era espaço de movimento, de alegria,de algazarra, ocupado a praticar desporto.

Em nome da patetice das novas pedagogias acabaram com os furos. E terminaram com “os feriados”e inventaram as aulas de substituição. Se não há professor disponível enviam os alunos para a biblioteca ou a sala de informática, de onde previamente foram retirados dos computadores os acessos aos sites “pornográficos” tanto era a procura dos nossos jovens! Não satisfeitos, algumas direcções de escolas têm estado a proibir a entrada de bolas nas escolas e o uso dos recreios para as “futeboladas”.

O discurso de preocupação quanto ao sedentarismo e aos níveis de obesidade dos jovens tem, por isso, muito de retórico e demagógico. Bem podem as autoridades públicas promover acções de sensibilização à necessidade de estilos de vida activos e saudáveis. O efeito é escasso enquanto permitirem que, do outro lado, no caso no ministério da educação, persistam atitudes que perseguem e proíbem os jovens que, na escola, querem correr, saltar e jogar.

 

publicado por José Manuel Constantino às 09:12

21
Mai 06

Quatro meses depois de lhe ter sido pedido pelo Presidente da Repíublica uma explicação sobre o "envelope 9" o Procurador Geral da República escolhe um jornal para dar esclarecimentos sobre o motivo porque ainda não fez o que lhe pediram.E pelo caminho já vai dizendo quem é responsável e quem o não é.Mas entretanto continua por terminar o que para o efeito foi intimado.Então por que falou se o trabalho não está terminado?E se não está terminado como pode haver conclusões?Mas se já há conclusões por que não foram entregues a quem as solicitou antes de serem dadas explicações na comunicação social?

publicado por José Manuel Constantino às 17:17

Será mesmo verdade, o que o jornal Público hoje revela,  que o Estado Português vai ter de pagar mais 100 milhóes de euros à empresa a quem foi adjudicada a construção e exploração da auto-estrada entre Viseu e Chaves resultante da alteração de traçado imposta para salvar uma alcateia de sete lobos?Num país carenciado em que uma parte da população vive com escasssos meios financeiros gasta-se dinheiro deste modo com lobos?

publicado por José Manuel Constantino às 11:44

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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