Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

27
Out 06

Crise da justiça é uma afirmação que conheço desde os tempos da ditadura.Hoje com razões das daquele tempo.Mas com um traço comum. A responsabilidade dessa crise é habitualmente imputada à esfera política e aos políticos, seja pelo modo como legislam, seja pelos meios que colocam à disposição dos operadores judiciais. Quem assim o afirma são os próprios profissionais da justiça. O que suscita uma dúvida para quem já teve que contactar com a justiça e tribunais e encontra pessoas agrestes, pouco prestáveis e muitas vezes de uma arrogância e comportamento indignos para quem tem o dever de atender de modo prestável os cidadãos. E a dúvida é tão apenas esta: não residirá no próprio sistema de justiça parte significativa das principais resistências a uma justiça melhor e mais eficiente? O facto da justiça estar colonizada pelos seus próprios profissionais não os obriga a sentir que têm alguma da responsabilidade no modo como os cidadãos são tratados? A crise da justiça não é ,em parte, a crise de qualidade dos seus operadores?

publicado por José Manuel Constantino às 15:47

26
Out 06

O desporto na  Europa e o futebol em particular estão a braços com uma crise, assim entende o Presidente da Comissão Independente sobre o Futebol Europeu. E, por isso, defende que as autoridades públicas devem agir e não apenas reagir, exigindo-se uma intervenção determinada quer da União Europeia, quer das autoridades governativas nacionais. Como? Sempre no respeito pela autonomia das autoridades governativas desportivas e preservando a especificidade do desporto. Conclusão: a solução é o próprio problema.

publicado por José Manuel Constantino às 15:48

25
Out 06

O nível do confronto verbal entre dirigentes do F.C. do Porto e do Benfica está a atingir, uma vez mais, patamares que revelam o estado dos seus protagonistas. Se não fosse um atentado às liberdades públicas deveria ser possível decretar o silêncio obrigatório e aplicá-lo a certos dirigentes poupando-nos assim à insolência e à má educação. Sei que teríamos à pega uma qualquer comissão dos direitos humanos por tamanha violação de uma liberdade fundamental e que os jornais desportivos agravavam a crise de vendas o que poderia concorrer, a prazo, para mais uns despedimentos, agora que as estatísticas do INE estão cada vez mais oleadas com o discurso oficial. O que pela aplicação da chamada dedução empírica se o insulto vende jornais e a venda de jornais trava a crise na imprensa desportiva, deixemos que eles se insultem porque o insulto é bom para a economia. E enquanto comentamos o insulto não comentamos o perdão fiscal concedido pelo Governo à banca. Tudo afinal em nome da economia e da competitividade do país. Lá mais para a frente e passado esta fase ,quem sabe se, o Presidente da República, agora que se especializou em roteiros, não decide, numa das suas incursões pelo país profundo,  promover um roteiro pela boa educação entre dirigentes do futebol. Aqui fica a sugestão a custo zero.

publicado por José Manuel Constantino às 10:31

24
Out 06

A obsessão pela transparência na prestação de contas das campanhas eleitorais por parte dos partidos políticos criou um regime de verdadeira patetice. A lei é um  desafio à engenharia financeira. Ignorando a natureza e característica dos partidos políticos e das campanhas eleitorais e pretendendo criar uma barreira ao financiamento encapotado o resultado conseguido foi o de uma legislação em que parte é inexequível e outra parte (a do financiamento ilícito) é superável como o muito bem sabe qualquer pessoa minimamente identificada com a angariação de fundos. O resultado está á vista com o acórdão do Tribunal Constitucional. Ninguém cumpriu a lei, (estranho seria se a cumprissem…) mas dá-se por encerrada a prestação de contas dos partidos políticos. Seguem-se eventualmente as coimas. Não seria mais razoável revogar a lei e em seu lugar criar um normativo mais simples, menos burocrático e menos obsessivo? É saudável para o regime democrático a imagem de persistente incumprimento dos partidos políticos sabendo-se que nesse incumprimento há uma parte que é responsabilidade própria, mas outra parte é de clara impraticabilidade?

publicado por José Manuel Constantino às 11:02

23
Out 06

Um erro na elaboração da proposta de Orçamento de Estado é a explicação apresentada para explicar o facto de o valor para remunerações prevista no âmbito da Presidência do Conselho de Ministros ter um aumento substancialmente superior(quase seis vezes mais) ao previsto para a restante administração pública. O que se aceita. Um erro é um erro.O tempo em que um erro era uma trapalhada já passou. Sobretudo para os que hoje erram e na altura daquele modo classificavam os erros dos outros. O que prova duas coisas : o país está diferente e não é só o Manuel Alegre que não lê com atenção e cuidado a proposta de orçamento.

publicado por José Manuel Constantino às 09:45

20
Out 06

A jornalista espanhola Marta Nebot nunca terá imaginado que entre os seus delicados seios pudesse  repousar uma inocente, mas atrevida, caneta. José Maria Aznar é o responsável por tão insólito gesto e foi a forma que encontrou para despachar a pergunta que a jornalista lhe dirigiu. O caso não ficou por aqui e uma responsável do partido socialista espanhol exige um pedido público de desculpas por tão grave manifestação machista. Tem razão. Mas não chega. Deveria ser obrigado a retirar a caneta do lugar onde a colocou. E  por razões de interesse histórico e patrimonial a caneta deveria ficar á guarda do Museu Thyssen-Bornemiza. Não é todos os dias que se deixa de escrever torto por  linhas direitas.

publicado por José Manuel Constantino às 12:44

19
Out 06

A vida tem destas coisas e o governo acaba por ir fazer aquilo que sempre negou  que faria: portagens pagas nas Scuts. Não em todas, para já, mas as suficientes para fazer cair uma garantia eleitoral. O primeiro-ministro não sai bem desta situação de incumprimento, mas a medida é razoável e sensata. E devia servir como lição: nunca prometer o que se não vai fazer antes de ter sólidas garantias de que se não necessita de fazer. Aconteceu com o aumento dos impostos e agora com as portagens das Scuts.

publicado por José Manuel Constantino às 10:13

18
Out 06

Rui Rio é teimoso e confunde muitas vezes o exercício de autoridade com autoritarismo. Pertence aquela categoria de pessoas que nunca se engana e tem sempre razão. Tem das coisas da cultura uma mentalidade de merceeiro e para ele os produtores e agentes culturais são apenas gente que quer viver à custa dos dinheiros públicos. Não sabe o que fazer ao seu património cultural e expressa opiniões em que a produção e fruição culturais são equivalentes a entretenimento. É o desastre anunciado para uma cidade que viveu sempre com uma significativa oferta cultural de iniciativa ou apoio camarários. Um  desconhecido ,pelo menos para mim,  grupo de teatro não está com meias medidas e protestando ocupa as  instalações do Rivoli .Conta para o efeito com uma comunicação social sempre pronta a divulgar patetices e a dar protagonismo a quem ansiosamente o procura. A ministra da Cultura com a asneira à flor da pele disponibiliza-se para mediar o conflito ,qual luta de libertação de gente oprimida. Alguém lhe diz mais tarde e avisadamente que o melhor é estar quieta. Ela obedece, mas não está convencida. Bater em Rui Rio faz parte da sua batalha cultural. Os ocupantes dizem frivolidades e reclamam generalidades. Há sempre um microfone disponível para registar. Rui Rio responde cortando a luz e fechando a porta das instalações para o exterior. Um deputado municipal assevera que isso não se faz”porque as pessoas da cultura são gente civilizada”.Está á vista que assim é.O conflito sobe de nível.Estão bem uns para os outros.

publicado por José Manuel Constantino às 10:47

17
Out 06

Um Orçamento de Estado sem grandes surpresas. Mais despesa, menos investimento. Um socialismo especial: musculo e firmeza perante algumas dimensões sociais do Estado (trabalho, saúde,educação, segurança social); tolerância perante o poder económico e o núcleo fundamental do poder financeiro; penalização ao trabalho e incentivo ao capital. A direita vai dizer que a penalização ao trabalho ainda é pouca e que o Estado continua a gastar demasiado. A outra esquerda vai protestar e um dia destas regressa à rua a gritar “25 de Abril sempre”.Ambos têm razão. O estado central continua a gastar demasiado consigo próprio e a democracia é para ficar. O problema é outro. Nem esquerda, nem direita sabem como a partir do Estado o país se deve organizar.Com a dimensão que tem, com os recursos possíveis e com a economia que o sustenta. Ao não querer repensar as funções do Estado ( e não me recordo de uma iniciativa legislativa da actual maioria que não tenha acrescentado novas e mais complexas funções ao Estado…)  é impensável que parte da riqueza nacional não seja para o sustentar. E com ele é a economia que se atrasa. O orçamento de Estado deveria traduzir uma política. De há muitos anos que é a política que se tem de adaptar ao orçamento. Dito de outro modo: é o Ministro das Finanças que manda no Conselho de Ministros.

publicado por José Manuel Constantino às 11:56

16
Out 06

O autismo político paga-se caro e, normalmente, com juros. Cavaco Silva não lia os jornais. Maria de Lurdes Rodrigues não tem tempo para ver as manifestações de professores. Sócrates ignora olímpicamente os protestos que tem à porta. Cada um a seu modo, com altivez e  sobranceria, procuram desvalorizar o que aos olhos do cidadão comum tem significado. Pertencem todos a uma geração para quem o exercício de funções públicas os elevou a uma categoria de pessoas em quem as coisas comuns são demasiado banais para justificarem atenção. È um duplo erro. Em primeiro lugar porque não corresponde à verdade. Cavaco Silva lia jornais, Maria de Lurdes Rodrigues viu e leu tudo o que se produziu a respeito da manifestação dos professores e Sócrates a mesma coisa. Admitir o contrário é imaginar o país entregue a irresponsáveis. Mas também porque revela uma insensibilidade social e democrática que procura não dar importância ao que socialmente o tem. De tal modo que a resposta política foi sabiamente preparada e mediaticamente controlada a partir do fim-de-semana com o governo /e ou partido do governo em peregrinação pelo país. E ,naturalmente, pelas televisões. O que nada tem de errado. É apenas um revelador de como hoje, numa parte do  governo, se sente e vive a ética republicana e socialista.

publicado por José Manuel Constantino às 09:36

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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