Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

30
Nov 06

A comunicação social de ontem divergia sobre se devia escrever flexisegurança ou flexigurança. Á noite, na SIC Notícias, Mário Crespo engasgava-se e revelava o desconhecimento da palavra correcta e a dificuldade em pronunciar flexigurança. Já não bastavam as alterações resultantes da TLEBS (terminologia linguística para os ensinos básico e secundário), uma verdadeira odisseia para a geração que aprendeu pela antiga gramática de língua portuguesa, c0mo ainda agora arranjamos maneira para o dicionário da língua portuguesa contemporânea da Academia das Ciências ficar desactualizado após um trabalho de edição que demorou 13 anos(1988/2001).Sei que estas coisas não interessam os apóstolos do Convento do Beato, (é a nossa sociedade civil…)sempre interessados na competitividade do capital e num Estado mínimo para quem trabalha e generoso para quem investe. Mas esta flexisegurança (ou flexigurança?) parece-me ser um bico de obra.  As empresas despedem quando precisam e o Estado paga uma percentagem sobre o vencimento até o trabalhador arranjar novo emprego. No exemplo apresentado, o da Dinamarca, a percentagem é de 90%.Valeu! Venha pois a flexigurança(ou flexisegurança?)Como afirmava o pai da terceira via para o socialismo, Anthony Giddens, o futuro está na capacidade de o Estado repensar a definição de risco, embora no caso português um dos que adoptou esta via original para o socialismo(o ministro do trabalho Vieira da Silva ) tenha do risco uma noção muito original porque perante o mesmo problema a opinião de deputado não é coincidente com a de governante(vidé o caso da reforma da segurança social). Mas pode ser que mude e, se possível, com segurança flexível.

publicado por José Manuel Constantino às 10:39

29
Nov 06

Como define uma finta de Cristiano Ronaldo? Como um verso que surge quando menos se espera, ditado por não se sabe quem. É verdade que pode mudar-se de mulher ou de partido, de clube é que nunca?É verdade.Talvez porque o futebol ,como a poesia, não se explica, implica. E como reage ao desdém de uma certa intelectualidade portuguesa perante o fenómeno do futebol? Com ironia e uma certa piedade. São aqueles que nunca fizeram uma finta nem marcaram um golo. Os que eram escolhidos para a baliza. Ou nem isso.O Futebol e a Vida um novo título de Manuel Alegre.

publicado por José Manuel Constantino às 10:39

28
Nov 06

Alguém não fala verdade. Reitores e responsáveis universitários queixam-se da dificuldade em pagar o subsídio de Natal por insuficiência da dotação orçamental e pela cativação das receitas próprias. O ministro Mariano Gago diz que é mentira e que existe dinheiro suficiente para o cumprimento das obrigações salariais. Não seria mais razoável, ministro e reitores, olharem com sentido de responsabilidade para os problemas do sector - que no próximo ano vai ter um desinvestimento significativo - estudarem as melhores soluções e o país ser poupado a esta novela? Não seria mais sensato pensar no país concreto que temos e deixarem de lado divagações teóricas sobre a imaginação que as universidades devem ter na angariação de receitas, no papel das empresas e da sociedade civil e definir um modelo de financiamento público ao ensino superior e universitário que evite esta situação lamentável? Não chega o modo desconchavado como Mariano Gago tratou a Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior e Universitário?

 

publicado por José Manuel Constantino às 10:37

27
Nov 06

Não sei se o diabo tece malhas. Mas Luísa Mesquita só se pode queixar de si própria e daquilo que sempre concordou: que o mandato dos deputados pertence ao Partido e que este os utiliza como muito bem entende. É cruel, mas é assim. E Luísa Mesquita sabia-o. De que se vem agora queixar? Das regras que sempre subscreveu e concordou? Ou apenas da sua aplicação a incidir sobre ela própria?

publicado por José Manuel Constantino às 09:56

24
Nov 06

António Mega Ferreira e o Governo acabaram com a Festa da Música no CCB porque ,entre outras razões, não têm os meios financeiros necessários. O que a ser assim se compreende,tanto mais que o país não nada em dinheiro. Menos compreensível é quando estabelecem relações entre o custo e a duração do evento. Acaso o negócio privado do Lisboa-Dakar tem uma relação mais favorável na relação duração do evento/ custo/benefício que justifique os dinheiros públicos entregues?

publicado por José Manuel Constantino às 12:14

23
Nov 06

O “passeio do descontentamento” é uma forma dos militares manifestarem o seu desacordo quanto às medidas governamentais para o sector. E chamam-lhe passeio porque lhe não podem chamar manifestação. O fim é o mesmo. Numa democracia madura e com governantes seguros e de fortes convicções democráticas o assunto seria apenas motivo de avaliação politica. Mas quando a política fenece lá vem o estafado discurso do estado de direito e dos direitos que os militares não têm. Como se isso não fosse suficiente o “passeio”é susceptível de “ afectar a coesão e disciplina das forças armadas”.Não sobra tempo a esta geração de governantes para perceberem, entre outras coisas, que esta atitude, só fortalece e publicita aquilo que se quer proibir?

publicado por José Manuel Constantino às 10:09

22
Nov 06

Afinal o que supostamente era um nosso defeito é reconhecido como uma mais valia nacional. Falamos do desenrascanso. Assim o pensam dois especialistas alemães que elaboraram um estudo sob inovação encomendado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. O responsável do Plano Tecnológico Nacional, Carlos Zorrinho, reconheceu que ,de facto, a cultura do desenrascanso indicia criatividade. Haja finalmente alguém que reconhece e valoriza as nossas idiossincrasias sobretudo as que se podem constituir como uma clara vantagem competitiva.

publicado por José Manuel Constantino às 11:04

21
Nov 06

A Federação Portuguesa de Associações de Feirantes quer proibir os políticos de realizarem acções de propaganda nas feiras enquanto o Governo não satisfizer as reivindicações “do sector”.O que está em linha de coerência com o lado que uma parte significativa de feirantes sempre escolheu: o lado da ilegalidade.

publicado por José Manuel Constantino às 11:31

20
Nov 06

Marcelo Rebelo de Sousa não está com meias medidas e zurze na entrevista de Cavaco Silva. Segundo ele o que Cavaco Silva disse foi pouco relevante. O que não está mau para quem consegue conciliar o estatuto de comentador/conselheiro/e putativo candidato presidencial. Mas se o que disse foi pouco relevante já o modelo utilizado o não foi. O que curiosamente não mereceu qualquer comentário de Marcelo. Não criticou Cavaco Silva naquilo que na entrevista é criticável: o de um Presidente da República que se dispõe a comentar publicamente as políticas de um Governo em exercício de funções não acautelando o indispensável distanciamento que as competências requerem. Ao fazer o que fez, Cavaco Silva, obriga-se no futuro a criticar publicamente o Governo quando se não identificar com as respectivas políticas. O que se seria um voltar atrás. Cavaco a dizer o que disse antes de ser eleito. E José Sócrates a dizer o que disse de Cavaco quando apostou em Mário Soares. É uma reprise que nada terá de original na vida política portuguesa.O tempo o dirá

publicado por José Manuel Constantino às 12:40

17
Nov 06

Os comentadores são unânimes no reconhecimento de que Cavaco Silva é sincero quanto ao apoio a José Sócrates e às suas políticas. Partilho da mesma opinião. Embora a utilização da sinceridade em política decorra das próprias circunstâncias. Cavaco Silva, por exemplo, não usou da mesma sinceridade para explicar que o célebre artigo da “má moeda” se dirigia ao então primeiro-ministro Santana Lopes. Ou então para o negar.

publicado por José Manuel Constantino às 12:23

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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