Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

28
Fev 07

Antecipando o que porventura será o novo estilo do jornal, o respeitável jornal de referência Diário de Notícias anunciava, ontem, em primeira página, os investimentos pessoais do Governador do Banco de Portugal durante 2005.Num jornalismo pobre e explorando os sentimentos mais primários a notícia espiolhava também as declarações de rendimentos dos membros do conselho de administração do banco procurando o sensacionalismo barato. Pode-se concordar ou discordar do valor das remunerações auferidas. É isso é jornalísticamente relevante. Mas se o que receberam era aquilo a que legalmente tinham direito que interesse jornalístico tem, ir procurar nas declarações entregues no Tribunal Constitucional o modo como aplicaram o dinheiro? Alguém que cumpre as obrigações a que está sujeito está também obrigado a ter que ser publicamente conhecida a forma como aplica os rendimentos que aufere? É copiando o estilo do 24 horas ou do Tal e Qual que o jornal pretende inverter os maus resultados das vendas?

publicado por José Manuel Constantino às 11:17

27
Fev 07

Arganil recebe hoje um encontro singular: o de presidentes de Câmara e de Assembleias Municipais cujas idades não ultrapassam os 36 anos. O objectivo é o de discutir a reformulação da gestão autárquica e caminhar no sentido da criação de um manifesto que defina o que os jovens presidentes entendem como necessário para modernizar o poder local. O encontro parte de dois equívocos: o de que a idade é um factor de identidade política; o de que ser jovem é uma vantagem para encontrar as respostas políticas que o poder local necessita. Equívocos que abrigam uma presunção que carece ainda de demonstração: a de que os jovens presidentes, com pouca experiência política e de vida, têm lições a dar ao país. É que,até prova em contrário, não é por colocar os jovens a governar que o futuro chega mais cedo.

publicado por José Manuel Constantino às 10:39

26
Fev 07

Os protocolos assinados pelo ministro da saúde com algumas autarquias relativamente à reorganização dos serviços de saúde tornam claro que os protestos das populações seriam evitáveis caso o ministro tivesse o bom senso de dialogar com os autarcas e acordar com eles a melhor forma de conciliar a reorganização da rede de saúde pública com as expectativas e necessidades das populações. Mas Correia de Campos, que tem uma irreprimível necessidade de todos os dias falar para comunicação social a “anunciar medidas”,é o exemplo perfeito  que um bom técnico não é sinónimo de um bom político, coisa que, habitualmente ,o próprio não reconhece. É preciso que alguém o ajude a tomar consciência disso. Caso ainda haja tempo.  

publicado por José Manuel Constantino às 09:59

23
Fev 07

Recordo-o como um homem irreverente , desorganizado, libertário, possuidor de uma voz e de um dom que permitia construir melodias a partir de tudo quanto emitisse som .Uma tarde, na marquise da sua casa em Setúbal juntamente com o Samuel, que mais tarde haveria de lançar como cantor, e do Zé  Flórido construiu uma canção a partir da percussão obtida através de batimentos na madeira da viola e de um tambor àrabe.Recordo-o como companheiro de muitas sessões onde a palavra e a música eram a forma de gritar liberdade. A morte física levou-o faz hoje vinte anos. Mas, como afirma Mia Couto, um morto amado nunca mais acaba de morrer. É o caso de Zeca Afonso.

publicado por José Manuel Constantino às 10:54

22
Fev 07

É compreensível que os professores tenham razão de queixa da actual equipa do ministério da educação. Mas escolher como arma de combate sindical os prémios O Pirata do Ano para caricaturar a acção governamental só de quem tem, da acção docente, uma perspectiva carnavalesca e pouco séria. Situação que não sendo nova na organização sindical proponente (SPRC) só acentua a crise de qualidade e de respeitabilidade do sindicalismo docente.Com sindicatos e professores assim não é de admirar a simpatia que as medidas governamentais recolhem em muitos sectores da opinião pública.Com evidentes prejuízos para muitos outros professores que dificilmente se revêem em patetices deste tipo.

publicado por José Manuel Constantino às 10:02

21
Fev 07

Portugal pode ser acusado de ter deixado sem resposta a escola de samba que no Rio de Janeiro solicitou apoio para um dos seus enredos de desfile: a língua portuguesa. Mas internamente a criatividade semântica não para de nos surpreender. Depois do “consenso alargado”e da “divergência cognitiva “ é chegado o momento da “leitura evidente”para explicar (?) o indulto presidencial a um cidadão carregado de crimes. Surpresa maior só o pleno que Carolina - a escritora de Gaia e não a princesa do Mónaco - conseguiu  nos desfiles do Carnaval luso e a criação da Federação Nacional de Matraquilhos.      

publicado por José Manuel Constantino às 10:00

20
Fev 07

A boa notícia é que as autarquias deram no ano anterior um forte contributo à contenção orçamental reduzindo a despesa em 3,2 por cento em relação a período homólogo do ano anterior e reforçando uma tendência que se iniciou em 2003:gastar menos. A contenção das autarquias permitiu mesmo uma redução de 11 por cento em relação ao que se encontrava previsto no OE. Mas a boa notícia é também a má notícia: essa redução foi feita à custa de um menor investimento porque a despesa corrente aumentou (3,8 por cento).

publicado por José Manuel Constantino às 15:01

19
Fev 07

Uma semana após a saída da nova versão do jornal Público ainda me perco quando o folheio. Pode ser consequência das rotinas de leitura da versão anterior e como tal ultrapassável com o tempo. Mas a sensação que se fica é que acentua as características de um jornal onde há mais opinião que notícias e mais política que jornalismo. A qualidade mantém-se elevada, no grafismo e nos conteúdos, mas é jornal a mais para o tempo que se tem para ler. Parte do jornal folheia-se, o que a cor e boas fotografias ajudam, mas não se lê. Receio que a solução encontrada , acentuando o carácter mais elitista do jornal, lhe não permita sair da crise de vendas( e de publicidade…) em que está atolado.Que em vez de ganhar mais leitores,o que é essencial para a viabilidade do projecto,os perca.

publicado por José Manuel Constantino às 11:30

16
Fev 07

O estatuto e a respeitabilidade de muitos cargos de natureza pública requerem reserva e discrição. A sua constante exposição aos tempos  e às regras da sociedade mediática degradam a imagem que  se cria a respeito das pessoas que exercem essas funções. Não passa uma semana em que a comunicação social não seja palco das polémicas que envolvem os vários operadores de justiça. Dos seus amores e dos seus ódios. Das sua decisões e das polémicas que suscitam. Alguns rivalizam com outras figuras que regularmente ocupam o espaço comunicacional. Ensaiam-se as primeiras crónicas sobre as suas histórias de vida. Disputa-se a sua presença em colóquios, conferências e lançamentos de livros. Tornaram-se um novo nicho do mercado de tudo quanto é mídia. É indisfarçável a atracção que o espaço mediático sobre eles exerce e a irreprimível tentação de participar na rave da democracia. Parte desses novos justiceiros procuram recuperar o tempo perdido na militância política e partidária à volta dos amanhãs que cantam ou do país do sol nascente. Fazem política, de que só formalmente se afastaram, por outros meios. O poder político assiste a tudo isto com complacência e,debilitado como está, receia  ser acusado de interferir na “autonomia” dos diversos poderes judiciais. Tudo funciona em regime de roda livre e as várias corporações fazem política sem que para o efeito estejam mandatados. A situação nada tem nova. Chega ao nosso país, como é habitual, apenas com algum atraso. Mais cedo ou mais tarde a festa da exposição mediática apresentará os respectivos custos. E vai mostrar-nos  que de um lado não há só virtudes e qualidades e do outro defeitos e perversidades. E desfazer a ilusão, para quem a tem, de que quem a administra a justiça tem uma suposta superioridade moral e ética sobre os políticos e outras figuras públicas. Essa é uma vantagem da actual situação. Mas melhor seria que assim não fosse. É que é uma vantagem que só penaliza o poder de quem administra a justiça e por arrasto a democracia e o estado de direito.

publicado por José Manuel Constantino às 10:41

15
Fev 07

Em tempos  o Ministério da Educação criou a figura do “consenso maioritário”.Uma  nota dada por um professor na sua disciplina não podia ser alterada por votação maioritária dos restantes professores mas podia sê-lo por “consenso maioritário”Eram infindáveis as discussões sobre o  que era um “consenso maioritário”e muitas vezes aplicava-se a solução mais simples que era considerar maioritário o que correspondia a metade mais um. Cavaco Silva, Presidente da República, apela agora a um” consenso alargado”,na futura legislação sobre a interrupção voluntária da gravidez ,coisa que só ele sabe o que significa e que vem lançar a confusão no processo legislativo. É que não há consensos uns  estreitos e outros alargados. Ou há consenso - o que significa conformidade de juízo de todas as pastes envolvidas - ou pura e simplesmente não existe. Na Assembleia da República há partido políticos. Uns têm opinião sobre o tema. Um não a tem. Provavelmente, a futura legislação será aprovada apenas por uma parte da Assembleia da República como ocorre com centenas de outros normativos e como é próprio de uma democracia e de um parlamento representativo. O que significa neste caso um “consenso alargado”a que apela Cavaco Silva? Ou consenso alargado é um eufemismo que quer dizer acordo entre os partidos do bloco central?Se assim fôsse seria procurar por via legislativa o que foi rejeitado por via referendária.

publicado por José Manuel Constantino às 18:03

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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