Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

30
Abr 07

Hugo Chavez é, cada vez mais, o novo porta-voz do governo cubano para as questões de saúde do presidente Fidel Castro.Confirmou agora o anúncio feito pelo presidente da Bolívia , Evo Morales , de que Fidel regressaria após o 1º de Maio à liderança do governo cubano. O curioso de tudo isto é que, para os cubanos, a saúde de Fidel é considerado um segredo de Estado. Mas não para os irmãos venezuelanos e bolivianos que abordam o assunto com a maior das naturalidades. Pelo menos é o que parece.

publicado por José Manuel Constantino às 10:42

27
Abr 07

O assunto é recorrente: sempre que se aproxima a inauguração de um equipamento público mediático o Presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, sai a terreiro par dizer que não existe segurança no equipamento em causa. Foi assim no euro 2004 e em  cada estádio que era inaugurado; foi agora , uma vez mais, a propósito do Túnel do Marquês. Se há matéria que em circunstância alguma deveria servir para protagonismos pessoais ou políticos, é a segurança das pessoas. O que se espera é seriedade e competência da parte de quem tem a missão pública de dar parecer sobre este tipo de matérias. Estamos perante situações (então nos estádios, agora no Túnel)em que as autoridades da protecção civil, incluindo bombeiros, se pronunciaram favoravelmente. E das duas uma: ou quem deu o parecer é competente e o  Presidente da Associação de Bombeiros Profissionais não tem razão e deve ser responsabilizado por sistematicamente desfazer o trabalho dos seu colegas voluntários; ou tem razão e são os primeiros que devem ser responsabilizados por darem pareceres que não são merecedores de crédito. Afinal em que bombeiros devemos   acreditar?

publicado por José Manuel Constantino às 15:51

26
Abr 07

Mudei de casa. Foi um longo penar, de espera e desespero, mas um dia lá consegui mudar-me de malas e bagagens para uma casa numa zona simpática de Oeiras. Na primeira noite, azar dos azares, meus vizinhos de cima estavam numa verdadeira revolução, pais e filhos, crianças e bebés, era choros, arrastar de moveis, portas a bater e eu, furiosa, com uma noite um branco. Pensei que era mesmo azar, comprar uma casa e depois vir na rifa uns vizinhos que eram mais barulhentos que uma cidade em plena guerra.

No dia seguinte, estava sentada com minhas amigas e comentei o sucedido. Os comentários delas foram num sentido que muito me admirou: «Como é possível numa zona tão boa uma situação dessas? Ainda que fosse um bairro social!». Pois claro, quem é pobre faz mais barulho, comporta-se erroneamente em sociedade; quem tem posses, nenhum mal em sociedade lhes é atribuído! Não sabia, fiquei a saber os componentes genéticos de quem possui mais ou menos poder económico. Digam lá, no final de tudo, se não somos uma cambada de preconceituosos?!

publicado por carla cristina rocha às 12:11

Primeira nota: o Presidente da República entende que se deve repensar o figurino das comemorações do 25 de Abril .Pena que não tenha apresentado qualquer sugestão ou ideia sobre um modo diferente de o fazer. Aguardo com curiosidade as comemorações do 10 de Junho, para perceber o alcance das palavras de Cavaco Silva e  como pretende chegar às novas gerações. É que nas comemorações deste ano não senti qualquer diferença, mas pode ter sido distracção minha.

Segunda nota: a esquerda deveria dar melhor atenção ao discurso de Paulo Rangel. Despeitos partidários à parte, o que disse sobre a “claustrofobia constitucional e democrática”merece cuidada reflexão para todos quantos estão preocupados com a qualidade da democracia.

Terceira nota: o problema das comemorações do 25 de Abril não está na forma de o fazer (é difícil escapar a uma sessão solene e a um desfile, como de resto é comum na generalidade do mundo para efemérides equivalentes)mas nos conteúdos dos temas que se abordam e nos discursos que se constroem. E aí só duas notas positivas: Jaime Gama e Paulo Rangel. O resto foram lugares-comuns .E este é que é o verdadeiro problema.

publicado por José Manuel Constantino às 09:56

25
Abr 07

Tenho o privilégio de pertencer a uma geração que viveu intensamente acontecimentos que marcaram a história de Portugal.Por muita desilusão e frustação que tenha quanto aos caminhos que a democracia percorreu,recordo com emoção o dia 25 de Abril de 1974.As suas alegrias ,os seu excessos,as suas virtudes e,porque também os teve, os seus defeitos.Mas, hoje,se tiver um cravo,esqueço a apropriação ideológica que fizeram deste simbolo de Abril e vou colocá-lo na lapela do casaco.Apesar de tudo,  em nome da memória, 25 de Abril sempre!

publicado por José Manuel Constantino às 17:40

24
Abr 07

Minha mãe tem sete irmãs. Todas mais velhas. Uma delas, a minha tia favorita, com 70 anos, foi a primeira da família a divorciar-se. Algo que lhe pesa imenso na alma e vê-se no andar, cabisbaixo, como se um pecado de lesa alma se tratasse. Não se dando bem com o marido, um dia saiu de casa, debaixo de choros, para casa de uma irmã para pensar na vida. Quando voltou, seu espaço estava ocupado por uma brasileira, 30 anos mais nova. Minha tia nunca mais viu o marido e ele nunca mais a procurou, até ao casamento do filho, meu primo, no passado Sábado. Encontraram-se, tia, tio e brasileira, numa igreja para os lados de Vila Real. Evitaram-se o tempo todo. Mas, depois dos comes e bebes, a dada altura, ela pergunta-lhe por que fez o que fez. Ele responde que já não havia nada entre eles e palavra puxa palavra, meu tio pergunta-lhe: «Dá-me um motivo, só um, para termos ficado juntos», aí esperava uma resposta inteligente, incisiva, mordaz daquela que sempre foi a tia mais espevitada, mas ela, de olhos marejados de lágrimas, no seu fato conservador e aliança (ainda) no dedo respondeu: «Comeste-me a carne, devias roer-me os ossos». Estranhei a resposta. Franzi a testa e olhei para a zona do baile… a brasileira dançava, de forma exuberante, alheia a todo o tumulto, olhando de quando em vez para meu tio, com trejeitos sensuais e sedutores, uma música brasileira que dizia: «Estava tão tristonho quando ela apareceu…». E aí vi, que ao contrário da minha tia, meu tio tem motivos de sobra para continuar com a brasuca… pelo menos ainda tem de comer muita carne até chegar aos ossos!

publicado por carla cristina rocha às 12:26

Um dos problemas que afecta negativamente a governabilidade das escolas é o número excessivo de comissões, assembleias e grupos, para tudo e para nada, dotados de competências que espartilham o exercício da autoridade escolar numa miríade de pequenas decisões. Em algumas destes organismos o poder chega a estar partilhado entre quem mande e quem deve obedecer. A cada um destes organismos correspondem atribuições e tudo o que fazem obedece a procedimentos com grau elevado de burocracia. São muitos a mandar,outras a fazer que mandam e alguns, poucos, a obedecer. É o casamento do pedagogismo com o basismo democrático. Como se não bastasse o caos organizativo com que a escola pública está confrontada anuncia-se agora ,para combater a violência nas escolas, mais uma comissão: a comissão de segurança das escolas constituída com as presenças do costume: professores, pais, alunos, forças de segurança, autarquias e representantes da sociedade civil(?).É mais uma parte da capitulação da escola. A solução encontrada encaixa-se perfeitamente na lógica da cultura escolar dominante. Mais gente a mandar o que equivale sempre a mais dificuldade em fazer obedecer. Está nos livros e na experiência de todos dia em qualquer organização. Menos no ministério da educação.

publicado por José Manuel Constantino às 10:23

23
Abr 07

No dia mundial do livro um poema de Fernando Pessoa, recolhido por pessoa amiga.

 

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.


Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

 

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada
publicado por José Manuel Constantino às 09:44

20
Abr 07

A ida de Joaquim Pina Moura e de um seu colega de partido para a administração da Média Capital  é entendido em alguns círculos políticos e jornalísticos com um caminho  para controlar politicamente a TVI e como um sinal da ligação entre o actual partido do governo e grupos de comunicação social. Pode assistir alguma razão a quem assim opina. Mas não é  esse um sinal dos tempos nas actuais democracias ocidentais? Os chamados jornais de referência e as sua direcções editoriais não têm hoje uma clara linha editorial de alinhamento político com os respectivos grupos económicos que os sustentam? Faz ainda algum sentido enfatizar a ideia de uma comunicação social independente de governos, de oposições ou de grupos económicos? É uma fatalidade? Creio que é um custo da democracia muito embora nisto como em muitas outras coisas Portugal, seja ainda uma espécie de menino de coro quando comparado como que se vai passando,  por exemplo, em Espanha ou Itália.

publicado por José Manuel Constantino às 15:54

19
Abr 07

A entidade reguladora para a comunicação social anunciou que vai avaliar o pluralismo político-partidário na televisão pública. Mas não é essa uma das suas competências? Que sentido tem anunciar que vai fazer aquilo a que se está obrigado a cumprir?  Mas o absurdo não termina. É que o primeiro relatório será apresentado daqui a seis meses. Seis meses para se saber se existe ou não pluralismo político na televisão pública? Não seria mais sensato acabar com este tipo de organismos. A democracia ficaria mais pobre ?

publicado por José Manuel Constantino às 12:33

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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