Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

27
Jul 07

Tiro o chapéu à atitude e à denúncia de Jaime Gama  relativa à utilização dos dinheiros  públicos ,ou seja os nossos impostos, para  pagamento dos assessores individuais dos grupos parlamentares. A situação revelada quanto ao número dos assessores que prestam apoio aos diferentes grupos parlamentares chega a ser obscena. Há partidos em que o número de assessores  é maior que o dos respectivos deputados numa proporção escandalosa . Muito se falou, e com razão, da Câmara de Lisboa. Muitos dos que falaram, praticam no Parlamento, precisamente as práticas que criticaram. Os partidos e os e seus quadros vivem hoje numa parte significativa de casos como verdadeiros “funcionários do Estado” camuflados sobre variadíssimas designações mas pagos pelos dinheiros públicos para prestarem serviços não ao Estado, mas aos seus partidos. A democracia tem custos que todos temos que suportar. Mas o grau dependência ultrapassa o razoável. Numa altura em que o governo se preocupa em controlar a despesa publica reduzindo os seus custos com os verdadeiros funcionários públicos bom seria que terminasse com a situação dos que o não sendo vivem como se o fossem.

publicado por José Manuel Constantino às 09:58

26
Jul 07

A lei da interrupção voluntária da gravidez é uma lei da República. É para ser cumprida em todo o território nacional. Compreende-se  mal que haja órgãos do Estado e titulares desse cargos que ostensivamente proclamam que não acatarão essa lei e que no território que administram ela não será aplicada. Cabe ao Presidente da República cumprir o que jurou: a Constituição da República.

publicado por José Manuel Constantino às 15:57

18
Jul 07

António Costa proferiu declarações a propósito das competências sobre a orla ribeirinha,concretamente sobre a dimensão das competências da Administração do Porto de Lisboa (APL),e zurziu sobre a sua administração. A APL ,não gostou, deixou passar as eleições e respondeu no mesmo tom. António Costa fez ,até recentemente, parte do governo. É ao governo que cabe definir e/ou alterar as competências atribuídas à administração do Porto de Lisboa . É ao governo, de que fez parte, que António Costa se deve dirigir. A APL limita-se a fazer aquilo que as suas competências prevêem e se as ultrapassa cabe ainda ao governo sancioná-las. Colocar alguma ordem nesta matéria evitaria que o debate sobre as competências das autarquias com as suas zonas ribeirinhas e/ou marítimas resvalasse para a questão de saber quem melhor trava a especulação imobiliária. É de politica do território e da sua governação que se trata e não de caprichos ,de disputas de mando ou da defesa de uma suposta moral superior que os administradores do Porto de Lisboa teriam sobre os autarcas em relação ao interesse público.O governo deve dizer se que quer que as coisas continuem como até aqui ou se são para mudar.

publicado por José Manuel Constantino às 10:40

17
Jul 07

À esquerda ou à direita  há sempre uma boa maneira de animar as hostes: uma boa polémica com ou sem congresso pelo meio e se possível com  mais do que um candidato à liderança. Mas o problema da renovação do sistema político português e com ele do sistema partidário pede mais do que mudanças de rosto. Pede outras políticas ,outras formas de representação democrática e outros modos de exercer a cidadania política. Há  uma evidente usura  de todas as representações partidárias ( a crise no PS só não é  tão visível porque é poder) e é parte de uma   des- ideologização da política que se acentuou com a queda do Muro de Berlim. A substituição da política pelo espectáculo e da ideologia pelo monetarismo é um sinal dos tempos. O discurso anti-partidos por parte de pessoas que chegaram onde chegaram graças aos partidos é um sinal dos mesmos tempos.É uma saída precária.Estariam onde sempre estiveram se os deixassem ter feito o que pretendiam. Não são uma espécie de alternativa. São os PRD's de hoje. Uns e outros só deixam o futuro carregado de nuvens .

publicado por José Manuel Constantino às 14:54

16
Jul 07

A melhor explicação para a crise da democracia representativa traduzida no elevado nível de abstenção nas eleições para a capital estava à entrada da porta principal do Hotel Altis: gente que foi arrebanhada para vir para Lisboa aplaudir o vencedor, parte da qual nem sabia ao que vinha. Podem ensaiar-se com ar sério e grave mil explicações.Ouvir os especialistas que é coisa que em Portugal não escasseia.Os politólogos esse novos imãs da coisa pública. Mas enquanto a política for tratada desta forma não há solução que lhe valha.

publicado por José Manuel Constantino às 09:49

13
Jul 07

Com ar grave e compungido o primeiro-ministro anunciou que mandou auditar as juntas médicas e que a partir de agora passam a ser constituídas só por médicos. Isto só por si vale como retrato do país. Vale por mil discursos ,livros brancos ou análises  swat. Durante anos houve juntas médicas em que alguns dos membros da equipa não eram médicos mas participavam em igual responsabilidade com os que o eram para o exercício de um acto médico. A ordem dos ditos disse umas vulgaridades que bem recebidas seriam, como as anunciadas pelo primeiro-ministro , se não repousassem sobre dois casos recentes de professores .Só a morte  e a atenção da comunicação social parece terem abanado as consciências. O triste é que tudo isto faz lembrar o que sucedeu com as mortes  no Aquaparque ,nas colónias de férias, as resultantes das quedas das balizas ou da electrocussão de uma criança num semáforo.  Anunciaram-se medidas ,  legislou-se ,houve um frenesim governamental,  do tipo de que coisas destas não voltarão a ocorrer, mas passado algum tempo a situação tende a aproximar-se perigosamente da realidade pré - existente a esses casos. Houve um tempo em que ainda se fiscalizou, mas depressa se entrou no deixar andar. Até à próxima.

 

 

 

publicado por José Manuel Constantino às 15:54

12
Jul 07

Não é o guião de um filme de ficção. Antes fosse. Polícias associados a grupos criminosos. Roubos de dinheiro no interior da própria polícia. Vendas ilícitas praticadas por agentes da autoridade. A pergunta tem, pelos factos, perfeito cabimento: o que ainda está por acontecer e conhecer relativo a pessoas e instituições a que nos habituámos a associar à defesa do cumprimento das leis e das regras sociais? Por causa do futebol, dos árbitros e da fruta que comem - a fruta é coisa que só acontece no futebol e nunca no mundo dos negócios e da política - mobiliza-se o que de melhor, supostamente , o país possui, para combater tão grave flagelo. Espera-se que aquilo que se está a passar com as polícias tenha pelo menos a mesma atenção e recursos que os dedicados aos árbitros de futebol. É o mínimo que se pode esperar.

publicado por José Manuel Constantino às 14:09

10
Jul 07

Nos dias que correm uma parte significativa dos apoios eleitorais são troca de favores e de atenções ou de expectativa a que eles ocorram em caso de vitória. Não são movidos por genuína convicção e consciência políticas. São uma aposta num mercado de expectativas (de apoio financeiro, de negócio, de emprego, de compra de serviços).Que não será assim para todos os apoios não custa acreditar. Mas que o será para um significativo número de casos é de elementar bom senso reconhecê-lo. O que se passou em Lisboa com o cantor Toy espelha parte do problema do apoio dos artistas (e de outro tipo de profissionais) a candidaturas políticas. E nesta matéria quem tem as mãos limpas que o mesmo é dizer legitimidade moral para lançar a primeira pedra?

publicado por José Manuel Constantino às 10:24

09
Jul 07

Só os campinos foram autorizados a aproximarem-se do primeiro-ministro na inauguração da nova ponte sobre o Tejo. E estavam lá, não por opção de cidadania mas porque os mandaram como outrora os mandavam receber o Américo Tomaz. Os poderes não dispensam um toque de propaganda às tradições. Depois do desconforto da enorme vaia do Estádio da Luz , prática que corre o risco de se difundir como uma praga sempre que José Sócrates contacta com as populações que governa, optou-se por deixar a população bem longe até porque por aquelas bandas anda por perto o PCP que bem podia criar uma “ manifestação espontânea” do povo.A solução encontrada, fugir ao contacto com as populações, revela a insegurança de José Sócrates .Bem pode afirmar que um político tem de estar preparado para tudo.Mas ao fugir,revela que não está preparado e ao evidenciá-lo só alimenta o crescendo dos protestos.Mais difícil, no entanto, vai ser justificar o motivo porque a ponte construída não permite a passagem de parte das embarcações turísticas e de recreio daquela zona por ausência da altura, sobretudo, na maré cheia. Se assim se confirmar é uma falha inadmissível.Ninguém conhecia a situação? Os projectistas não foram informados?

publicado por José Manuel Constantino às 10:13

06
Jul 07

Não é fácil para o PC um debate sobre as liberdades públicas. O acervo de luta contra o fascismo é prejudicado pelo modo como defenderam e ainda defendem regimes políticos ditatoriais. O PS sentiu ontem essa dificuldade na Assembleia da República, ainda que por motivos distintos. As derivas autocráticas que são do conhecimento público a par da falta de educação e de elevação políticas de alguns dos seus pares , como o deputado Ricardo Gonçalves, não podem deixar de incomodar homens como Alberto Martins, Vitor Ramalho ou Manuel Alegre com antes já haviam incomodado, Jorge Coelho e Medeiros Ferreira. O que levanta uma dúvida. Saber se o que está acontecer no modo como o Governo está a utilizar o aparelho de Estado é apenas uma deriva resultante da entrega de lugares de direcção a gente sem nível ,sem  gabarito e sem formação democrática ou uma cultura de aparelho que se tende a instalar e  perante a qual a anterior cultura e tradição do PS não são suficientes para travar.

publicado por José Manuel Constantino às 10:10

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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