Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

31
Jan 08

A Câmara Municipal do Porto foi condenada a pagar uma indemnização de seis milhões de euros a uma empresa privada por incumprimento de um protocolo validamente assinado pelas partes. Em Lisboa está anunciado um procedimento similar de denuncia de um protocolo de venda de terrenos a uma entidade privada. Não custa admitir a autarquia vai ter de pagar uma boa nota por incumprimento contratual. O que sucede nestes casos é que quem é penalizado com estes pagamentos são os cidadãos contribuintes. Não são os responsáveis pela denuncia dos contratos. As empresas privadas fazem o seu papel: colocadas perante incumprimentos contratuais recorrem aos tribunais e são ressarcidas dos prejuízos sofridos. É uma versão moderna do populismo e do politicamente correcto e uma estranha forma de defesa do interesse público.

publicado por José Manuel Constantino às 10:23

30
Jan 08

Paulatinamente José Sócrates vai dando claros sinais de fraqueza perante Cavaco Silva. Foi assim quando deixou cair o referendo europeu e depois a Ota. Foi agora com Correia de Campos. Este, ou o que estava fazer e o modo como o fazia não correspondia ao pretendido pelo primeiro-ministro e já então devia ter sido substituído; ou ,então, cheira a resposta às constantes criticas á política de saúde, incluindo de sectores do PS, reforçadas com o tom crítico de Cavaco Silva. Á medida que se aproximam as eleições José Sócrates está cada vez mais previsível. E se não foi ainda mais longe na remodelação do seu governo é para que os sinais de fraqueza se não constituam como sinais de desorientação. Só que não há governação que resista a remodelações às pinguinhas .Pelo menos para o que resta do PS insubmisso.E para um Cavaco Silva a fazer marcação em cima.Porque para o resto da oposição José Sócrates chega e sobra.

 

publicado por José Manuel Constantino às 15:23

29
Jan 08

Não fossem as questões de saúde e do socorrismo estarem na primeira linha da agenda mediática e provavelmente a questão dos desfibrilhadores, que estão inoperacionais por uma disputa de competências, passaria despercebida. É um caso, infelizmente, igual a tantos outros. Mas o debate público da situação permitiu duas revelações: que há uma secretária de estado adjunta e da saúde de seu nome Carmen Pignatelli; que a senhora acha que “há uma imensidão de coisas para fazer”.Valha-nos isso!

publicado por José Manuel Constantino às 11:50

28
Jan 08

Houve um jantar num destes dias. Um jantar sui generis, talvez por não o conseguir definir na perfeição. Não era um jantar de desconhecidos, porque nos conhecíamos brevemente, numa ou outra conversa fugaz, num ou outro trabalho pontual e tirando uma única pessoa – essa sim, minha amiga – , também não era um jantar de amigos. E dei por mim a pensar o que de bom, ou não, um jantar daqueles poderia trazer à minha vida. Eu era a ‘extra’. Era aquela que menos ligações de trabalho tinha com as restantes pessoas e, talvez por isso, aquela que esteve mais disponível para ver ‘de fora’, aquele jantar e a importância do mesmo. Uma das coisas engraçadas de jantarmos com quem mal conhecemos, é que descobrimos características interessantes em certas pessoas que nem imaginávamos que teriam. Descobri, por exemplo, que o rapaz tímido X, afinal não é assim tão tímido enquanto explica de que forma, nos dias que correm, se pode convidar a companheira, ou vice-versa, para uma ‘cambalhota’ sexual… basta, para isso, roçar com seu dedo – convêm ser o indicador, mas se a pressa o atrapalhar, pode utilizar um outro dedo qualquer – na palma da mão da moça que se deseja. Não é difícil perceber, mas aquilo suscitou uma grande gargalhada por imaginarmos a malta, daqui para a frente, a esfregar a palma da mão a torto e a direito.

Descobri uma rapariga conterrânea, que traz nela os traços que revejo nas pessoas da minha terra e que tanto me agrada. É como se tivesse voltado a casa por breves momentos.

Descobri que ‘B’ afinal, é tão galã que nem numa saída de amigos, deixa de lado a oportunidade de tentar algo. Descobri tanto, sobre muitos, que jantares daqueles só podem ser benéficos.

Sei que daqui para a frente, quando naquela empresa houver um problema, aqueles que se juntaram naquele dia, não se vão tratar como simples colegas, ou desconhecidos, porque já não são só colegas ou desconhecidos. Não saíram de lá amigos, mas também não são mais desconhecidos.

Contem comigo para os vossos jantares, porque se há quem ache que essas relações de amizade não são boas para as relações profissionais, eu cá tenho uma opinião divergente!
publicado por carla cristina rocha às 16:29

A passagem das zonas ribeirinhas para a administração directa dos municípios é uma clara vitória de António Costa. Revela o poder político que detém mesmo após a saída do Governo. Faz cair por terra toda a argumentação que ao longo dos anos foi produzida para justificar o poder sobre o território da orla ribeirinha por parte da administração do Porto de Lisboa. Não   é só Lisboa que  ganha mas toda a área metropolitana.

publicado por José Manuel Constantino às 10:56

27
Jan 08

O Procurador-geral da República despachou rapidamente o assunto relativo às declarações do bastonário da Ordem dos Advogados. Inquérito em cima. E fez muito bem. Se Marinho Pinto tem conhecimento de casos concretos que fundamentam as suas declarações deve denunciá-los. Ou então está calado. Só não se compreende a razão porque o PGR não tomou a mesma atitude quando declarações de idêntico teor e gravidade foram sendo proferidas ao longo dos anos pelo casal Zé Luís e Mizé.

publicado por José Manuel Constantino às 11:47

25
Jan 08

Vitor Constâncio é daquelas venerandas figuras políticas do regime que pode fazer tudo o que lhe der na real gana cuja competência nunca é posta em causa. Depois da maldade que fez a Barroso e do frete a Sócrates sobre o valor do défice público foi-se a imagem de isenção que é devida a um governador do Banco de Portugal . Hoje segue a agenda mediática e quando a coisa aquece explica que não pode esclarecer tudo quanto lhe é perguntado porque colocaria em risco as averiguações que estão em curso. O escândalo do BCP não o atinge nas suas obrigações de supervisão e foi preciso que a confraria se zangasse para se começar saber a extensão do que por aí vai. Vítor Constâncio não sabia de nada nem nunca dos factos tinha ouvido falar. É claro que tudo o que se passou nada tem a ver com corrupção. Isso só ocorre nas autarquias e nos clubes de futebol. Nada que atinja as organizações financeiras. Nada que diga respeito às obrigações de vigilância do Banco de Portugal. Vitor Constâncio pode continuar a dedicar-se aquilo que mais gosta. As previsões. E rever em alta e em baixa.

publicado por José Manuel Constantino às 11:10

24
Jan 08

Creio que foi Emídio Rangel que um dia afirmou que vender presidentes ou sabonetes era a mesma coisa. E de então para cá muito se confirmou essa sua imagem. A contratação de uma agência  para “produzir” política não é uma invenção do PSD. Outros antes o fizeram desta ou de outra forma. Basta constatar o que se passa por gabinetes ministeriais, órgãos de soberania, tribunal de contas, institutos públicos e autarquias para se ter a devida dimensão do ponto a que chegou a política. Ninguém dispensa o seu “assessor” para a comunicação, preferencialmente quem tenha ligações ao “meio”. E que dá resultados, porque se assim não fosse não era crescente o recurso a este tipo de suporte à acção política. Mas  que revela a o grau de degradação da política (gerida como se da venda de cosméticos se tratasse) e de muita da comunicação social que se produz ( construída a partir das informações e dos conteúdos  de publicistas travestidos de “jornalistas”).

publicado por José Manuel Constantino às 10:30

23
Jan 08

A seguir às palavras de Cavaco Silva sobre as políticas de saúde os serviços do Ministério da Saúde desenvolveram vários contactos junto de empresas de comunicação para a gestão de imagem do ministro perante a crise que se instalou nos serviços, nas políticas de saúde e perante a insistente reclamação da sua substituição. O trabalho tem sido feito com o anúncio de “novidades” em matéria de políticas de saúde. Mas a coisa não está fácil porque entretanto há incidentes, como em Anadia e Aveiro, que são, por vezes, demagogicamente aproveitados para o combate político. Ontem na SIC –Notícias lá esteve mais uma vez Correia de Campos  munido de uma coleccção vários cartõezinhos com muitos  números e com a lição previamente estudada. Mas há qualquer coisa que persegue Correia de Campos. Nunca consegue convencer mesmo quando os argumentos até estão bem estruturados. Por isso não acompanho aqueles que acusam o ministro de défice de esclarecimentos sobre as políticas do seu ministério. O problema já passa a ser de esclarecimentos a mais. Não me ocorre outro ministro que ocupe tanto espaço e tempo na comunicação social. Mas cada um que o ouve, certamente que tem um familiar ou um conhecido que, tendo recorrido aos serviços públicos de saúde, tem razões de queixa que contrariam o discurso permanentemente optimista do ministro. E esse é o problema. Todos os dias a vida nos serviços de saúde, por uma ou outra razão, desmentem o ministro. O problema é de política ou de quem a aplica. Ou ambas.

publicado por José Manuel Constantino às 10:50

22
Jan 08

Perante o nível elevado de terrorismo que assola o mundo é de crer, e acima e tudo de esperar, que as autoridades policiais e de serviços secretos permutem informações que elevem o estado de prevenção e de segurança perante a eventualidade de tais acontecimentos. O que me não parece normal é que divulguem essas informações e passem a estar na  comunicação social como tema de agenda. Nas populações mais do que imprimir segurança suscitam insegurança em que actos fortuitos ou intencionais -como o do abandono de uma mochila no metro -, pressagiam logo um eminente ataque terrorista. É de estranhar que polícias e serviços de inteligência tão treinados tornem publicas informações que deviam ser altamente reservadas. É estranho que nos últimos dias tenham surgido na comunicação social um conjunto de responsáveis a dissertar sobre o tema a propósito de uma informação prestada sobre a eventual entrada de suspeitos em território português. Ora se há tema que requer reserva e discrição é precisamente o do combate ao terrorismo. Se essa reserva não existe ou é imprudência, ou incompetência ou mais singelamente é intencional.Se é intencional com que objectivo?Nem a segurança das pessoas escapa ao espectáculo mediático?Ou é o espectáculo mediático que requisita a segurança e a luta contra o terrorismo como tema em que candidamente os serviços secretos colaboram?Ou estamos todos perante um enorme equívoco de contra -informação alimentado pelos serviços de inteligência?

publicado por José Manuel Constantino às 15:07

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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