Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

30
Abr 08

Parece-me, à primeira vista, que há uma série de equívocos sobre usar ou não uma aliança. Aquilo que é um símbolo de uma união, transformou-se num jardim murado, com um portão e uma placa com os dizeres: cuidado com o cão!, ou seja, a aliança para alguns (muitos) serve para afastar perigos. Para outros, a aliança até parece ser de mel, olham a se tem aliança, atacam pensando que esta, ou este, não me vai arranjar problemas. Fazendo um percurso mental rápido pelas minhas relações de amizade, poucos são aqueles que usam aliança como símbolo, muitos os que a usam porque assim, o companheiro/a se sente mais seguro/a. Para os primeiros, vá lá que não vá, entendo, embora símbolo por símbolo também podem usar um corno ao pescoço, num fio belíssimo da Tous, mas tudo bem, são conservadores, dou de barato; para os segundos, acrescento que muitas vezes o jardim murado mais não é que um jardim edílico de prazeres carnais… alheios. Hoje percebi o verdadeiro significado de uma aliança ao almoçar com uma amiga. A meio do almoço perguntei-lhe:

- A tua aliança?  

- Tirei-a.

- Tiraste-a? Mas por quê?

- Porque se em tempos a usei sem notar que ela estava no meu dedo, há pouco tempo percebi o peso que me causava. Parecia que tinha 20kg agarrado ao dedo, depois cheguei à conclusão que o que pesava mesmo era a minha relação. Foi o sinal para a tirar e a mandar para uma gaveta juntamente com o meu casamento!Por isso é que se usa alianças: quando já não a suportamos no dedo, é a hora exacta em que devemos debandar para outros espaços amorosos!

 

publicado por carla cristina rocha às 16:19

29
Abr 08

“Quem não tem cão caça com gato”,assim considerou Marcelo Rebelo de Sousa quando Durão Barroso escolheu Manuela Ferreira Leite para ministra das finanças cujo magistério é de má memória, tão má, que o primeiro ministro foi-se embora com o mandato e o compromisso a meio e entregou o poder a quem para o efeito não estava sufragado. Ontem lá estavam todos a ouvir a senhora. E pelas reacções gostaram. Mesmo que não tenham ouvido uma ideia nova,  um projecto diferente, uma ruptura que fosse.Leu um papel sem rasgo e sem emoção. Falaram uns para os outros procurando resgatar a credibilidade perdida pelo abismo do populismo interno. Não com uma imagem de juventude, arejada, de confiança num futuro diferente para oferecer aos portugueses. Mas procurando o que  outrora tentou Fernando Nogueira.Continuar o cavaquismo por outros meios.Com os brilhantes resultados que se conhecem. O recurso a uma sexagenária bem entradota na vida e á beira da reforma e cujo ar austero e  de zangada  lembra mais o passado que qualquer ideia para o futuro é um descanso para José Sócrates. Tentar ganhar o futuro com ideias, práticas e pessoas do passado é uma tentiva vã e votada ao insucesso.É que para pior já basta assim.

publicado por José Manuel Constantino às 10:24

28
Abr 08

Nem as esquadras são lugares seguros .O que ontem aconteceu em Moscavide, perseguição a um agredido seguida de invasão da esquadra, onde só estava um polícia, aí está a demonstra-lo. Mesmo sem telemóvel por perto e filmagem no You Tube.Pelo menos por enquanto.Há momentos em que nem tudo parece correr mal.Seguir-se-ão as explicações habituais em que não haverá lugar para qualquer responsabilidade de quem permite que um lugar cuja segurança deveria estar acima de qualquer desacato passe por situações destas. E provavelmente surgirão mais estatísticas a demonstrarem que o crime diminuiu. E os partidos políticos da oposição  atirar-se-ão ao governo e ás suas medidas de reestruturação das forças de segurança. E os sindicatos da polícia dirão que já tinham avisado e que casos similares podem vir a ocorrer. E o ministro explicará. E o comum dos cidadãos interrogar-se-á como tudo isto é possível sobretudo se recordar o número de efectivos deslocados para um campo de futebol sempre que existem competições “mais rasgadinhas”. Bem sei que a gratificação e as horas extraordinárias são mais generosas. E que a comunicação social está em cima.E por isso não me falem em falta de efectivos.

publicado por José Manuel Constantino às 15:35

24
Abr 08

Quando não sabemos os motivos de uma recusa, se calhar, não deveríamos recusar. Isto a propósito de uma conversa recente sobre o colocar, ou não, um cravo na lapela, no 25 de Abril. Uma conversa pacífica, achava eu, transformou-se numa discussão, com uns senhores a recusarem, terminantemente, a usar tal coisa ‘Eu não sou comuna!’, outro ‘Eu sou um democrata’. Creio que só por ignorância, tal pode acontecer. O cravo, é um símbolo da revolução de Abril, revolução essa que em nada, nem a ninguém, deverá envergonhar! Uma revolução sem sangue, como tanto apregoamos, mas acima de tudo, uma revolução que nos devolveu a capacidade de intervir na sociedade sem sanções, sem mordaças, sem se sofrer as consequências de se ser um livre-pensador. E haverá símbolo mais pacifico que uma flor? Não vivi o 25 de Abril, mas respeito e admiro quem o viveu. Mais, admiro e respeito quem, como força e dignidade, foi em frente e não se quedou em medos e cobardias. Devo-lhes o meu crescimento livre. Quando vejo um cravo, lembro-me do que aprendi na escola e imagino-o de tal forma, que as imagens misturam-se no meu pensamento, juntamente com as palavras de uma antiga professora: «Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas». Isto, não é de ter vergonha. Isto é poesia, é uma parte da história que me recuso a apagar. Há por ai uns incultos que assim não acham… ainda bem, porque esses não merecem um cravo na lapela. Embora, eu prefira metê-lo na orelha, misturado com o meu cabelo preto, para melhor sobressair!

publicado por carla cristina rocha às 12:55

23
Abr 08

A recordar: as críticas que há cinco anos os socialistas fizeram ao código do trabalho apresentado pelo então governo. No futebol como na política a verdade de hoje não é necessariamente a de amanhã. Pelo menos em parte. Como uma vez mais se comprova.

publicado por José Manuel Constantino às 17:17

22
Abr 08

Dizem que entre Abraham Lincoln e John F.Kennedy havia muitas parecenças. Presidente dos Estados Unidos e posteriormente assassinados a distância de cem anos no exercício dos respectivos mandatos criou nas suas vidas estranhas coincidências. Mas havia uma que até hoje não conhecia. A célebre frase de que “é possível enganar muitos durante algum tempo; é possível enganar alguns durante muito tempo; mas não é possível enganar todos durante todo o tempo” sempre a li como atribuída a Lincoln. Hoje, em a Bola, Miguel Sousa Tavares atribui-a a Kennedy. A história parece que nunca foi o forte do Miguel e creio que ele está enganado. Mas numa coisa  tem razão. No destinatário: Luís Filipe Vieira.

 

publicado por José Manuel Constantino às 10:30

21
Abr 08

O chamado maior partido da oposição já tem quatro candidatos a líder. É obra! E, pelo que se ouve e lê, concorrentes a acrescentar aos já anunciados não faltam. Não sei se é bom, se é mau. Certo é que com estes candidatos ou outros o importante seria projectos novos que se constituíssem como uma alternativa de governação. Se percebesse em que é que os “sociais –democratas” se distinguem dos “socialistas”.Sei que a questão não é fácil de dilucidar para quem dispensa a ideologia e usa o debate político como mera arma de arremesso partidário.E ,pelo andar da carruagem, o mais certo é termos gente a mais e ideias e projectos credíveis a menos. Parafraseando Eduardo Galeano somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos. Difícil é acreditar que o PSD seja capaz de fazer alguma coisa para mudar o que é. E o que é, como os factos abundantemente demonstram, não se recomenda.

publicado por José Manuel Constantino às 15:46

11
Abr 08

Neste local, em tempo, interrogámo-nos, se seria aceitável que a Gala Anual de um clube de jornalistas fosse financiada pelos dinheiros públicos? Que esse financiamento se estimasse em cerca de 80% do custo da iniciativa? Perguntávamos se  quem rubricava este tipo de acordo dormia descansado perante o código deontológico dos jornalistas. Se com uma comunicação social tão ávida e atenta à descoberta de promiscuidades não existia perante o caso relatado qualquer incomodidade ou sobressalto cívicos. Compreendia também que não era fácil aos jornalistas abordarem as questões que dizem respeito aos jornalistas com o mesmo critério com que abordam outros grupos profissionais. O corporativismo toca a todos. Mas surpreende tanta dualidade de critérios. Gente que nunca teve qualquer problema em conciliar o exercício de comentador político com o de consultoria jurídica ao Estado e outras entidades públicas ou de jornalismo com o de assessor político para a comunicação social incomoda-se agora com ao facto do Jorge Coelho, e todos anteriores e futuros Jorges, passar para o exercício de funções privadas numa entidade que enquanto governante, há uns anos atrás, “tutelou”.Mas o problema só se coloca aos políticos? São os únicos a quem um severo regime de incompatibilidades se tem de aplicar até ao fim da vida ?

 

publicado por José Manuel Constantino às 16:12

10
Abr 08

Um comentário já publicado e que mantém perfeita actualidade: o nível do confronto verbal entre dirigentes do F.C. do Porto e do Benfica está a atingir, uma vez mais, patamares que revelam o estado dos seus protagonistas. Se não fosse um atentado às liberdades públicas deveria ser possível decretar o silêncio obrigatório e aplicá-lo a certos dirigentes poupando-nos assim à insolência e à má educação. Sei que teríamos à pega uma qualquer comissão dos direitos humanos por tamanha violação de uma liberdade fundamental e que os jornais desportivos agravavam a crise de vendas o que poderia concorrer, a prazo, para mais uns despedimentos, agora que as estatísticas do INE estão cada vez mais oleadas com o discurso oficial. O que pela aplicação da chamada dedução empírica se o insulto vende jornais e a venda de jornais trava a crise na imprensa desportiva, deixemos que eles se insultem porque o insulto é bom para a economia.

publicado por José Manuel Constantino às 17:33

09
Abr 08

Quem tem filhos na escola sabe que a função da escola e a missão dos professores –o de ensinarem - não melhorou como resultado de qualquer medida da actual equipa governativa. A menos que se considera que é suficiente ter por mais tempo quem tome conta dos filhos, como sucedeu no primeiro ciclo do ensino básico, independentemente da qualidade do que aprendem nesse tempo.

Quem trabalhava bem continua a fazê-lo. Quem trabalhava mal, mal continua. Mas há uma coisa que o ministério conseguiu: desmotivar quem trabalhava bem e descredibilizar, ainda mais, a imagem social do professor através de medidas de correcção de aparentes “privilégios indevidos”.

O efeito nas escolas é devastador e os alunos perceberam o clima e o ambiente que se respira em relação aos professores. O caso do Carolina Michaellis é, em parte, um produto deste caldo. As rocambolescas decisões adoptadas perante a avaliação dos professores, e ontem anunciadas pela ministra após mais uma ronda negocial com os sindicatos, confirmam que está esgotada qualquer capacidade de boa governação da actual equipa ministerial. Mantê-la é mera teimosia de quem não quer perder a face. Mas não é seguramente bom para o país.

 

publicado por José Manuel Constantino às 15:34

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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