Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

30
Jun 11

A morte de um jovem é sempre a paragem definitiva sobre uma vida curta. Independentemente da notoriedade do jovem. Há mortes que são o fim natural de uma linha da vida. Mas  há outras que sendo prematuras parecem ser mais mortes que as restantes. Mais severas. Mais injustas. Menos compreensíveis. Em que o luto é mais difícil. Mesmo sabendo que morte não tem calendário. E que muitas vezes é cínica.Aparece sem avisar. Porque raio a vida tem de ser esta merda?

publicado por José Manuel Constantino às 11:37

29
Jun 11

As palavras, por vezes, são conjuntas arrumadas de letras desprovidas de conteúdo. Vazias de sentido. Visão estratégica, plano operacional, implementar, assegurar, incrementar, apostar, modernizar, projectar, criar, renegociar, reestruturar,redimensionar, requalificar, entre outras equivalentes,  inundam o texto do programa de governo. São uma moda. E com muitas das modas servem mais para tapar, que para mostrar. Mais para iludir, que para esclarecer. Porque se não são desenvolvidas são inócuas. Podem ser uma e várias coisas. O que se pede num programa não é uma manifestação de estado de espírito. É uma manifestação da vontade que se traduz no que, em concreto,se vai fazer. Sem floreados, nem rodriguinhos.

publicado por José Manuel Constantino às 16:43

28
Jun 11

 

Uma candidatura a um grande evento internacional precisa de dois elementos persuasivos: um estudo de viabilidade económico-financeiro que demonstre quão benéfico é para o país; uma tese em que se demonstre que o evento se paga a si mesmo. Há quem se dedica, por bom preço, a uma e a outras das encomendas. É o negócio dos eventos. Porque só um insano pode estar contra algo que preencha aqueles dois quesitos. Se é bom para o país e se paga si mesmo pois que venha o evento. Só não se compreende é que, algo que se paga a si mesmo, careça do dinheiro dos contribuintes. E aqui começa a novela.

O legado dos eventos é hoje uma matéria de crescente atenção. Saber o que fica depois de levantar a tenda e recolher as canas dos foguetes. O que fica por pagar. Ou por manter. É preciso fazer bem a conta para lá do fascínio da festa. Isto é essencial sempre que está em causa dinheiro público.     

Um evento que se paga si mesmo é algo em que as despesas que envolve são suportáveis pelos proveitos que gera. E um evento que estimule a actividade económica e financeira é algo em que se acrescenta valor à actividade económica. Um grande evento, desportivo ou de outra natureza, por norma, preenche o segundo dos quesitos, mas não necessariamente o primeiro. Razão que obriga a que não possa sobreviver sem ajuda do financiamento público. Foi assim na Expo98,na construção dos estádios do Euro, no autódromo do Algarve, no Lisboa – Dakar. E é assim nas corridas de popós e de aviões. Muito retorno para o país, muito incentivo à economia nacional. Mas não nenhum deles prescinde do dinheirinho dos contribuintes. Que pode ser em cash. Em bens ouem serviços. Ou tudo. Pudera! Quem organiza não o faz pelos nossos bonitos olhos. Mas porque, à partida, lhe garantem um retorno cujo risco pretendem que seja nosso e não de quem se propõe organizar. É o empreendedorismo público-sustentado. Por nós.

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 09:30

27
Jun 11

Pode ser só impressão minha, mas as declarações que o novel ministro Álvaro dos Santos Pereira vai diariamente debitando não anunciam nada de bom. Pode ser ainda efeito do jet-lag. Mas pelo sim ,pelo não, talvez fosse melhor aconselhar o senhor a falar menos, de modo a poder acertar mais.

publicado por José Manuel Constantino às 14:36

24
Jun 11

O Governador Civil de Aveiro foi, durante muitos anos, Presidente da Câmara Municipal de Espinho. Deve ter algum conhecimento sobre contabilidade e serviço  público.As informações que ontem prestou, de que os governos civis são lucrativos, são uma asneira política e financeira. Os governos civis prestam um conjunto de funções parte das quais são geradoras de receitas. E têm um conjunto de despesas de funcionamento. As funções que desempenham e respectivas receitas podem perfeitamente ser encaixadas em outras instâncias da administração pública. Aliviando nas despesas de funcionamento. O serviço público é mantido e a despesa baixa. Chama-se a isso aumentar o grau de eficiência. Pode-se discutir se, sim ou não, as actuais funções dos governos civis, devem ser absorvidas por outras instâncias da administração pública.Falar em lucratividade dos governos civis revela o grau de competência e de noção de serviço público de um dos seus titulares.Escolhido, de resto,porque perdeu umas eleições.

publicado por José Manuel Constantino às 11:31

21
Jun 11

F. é uma mulher de meia-idade. Trabalhou na escrita. Em jornais e revistas. Um dia foi-lhe detectado um cancro na mama. Intervenção cirúrgica e tratamento de continuidade. Quimioterapia. Queda de cabelo. Uma outra identidade. E um mar de expectativas e receios. De medos.Com resultados aparentemente positivos. Até um dia em que crises consecutivas de tosse e convulsões a levam a novos exames médicos. Diagnóstico fulminante: recidiva de doença cancerígena. Não queria acreditar. Foi procurar outras opiniões. Outros pareceres médicos. Fazer outros exames. Que, afinal, não coincidem. No que para uns era o reacender da doença original, para outros era a presença, junto à traqueia, de um corpo estranho. Um corpo estranho no corpo original! Como assim? Mais exames. A mesma resposta: corpo estranho.

F. foi novamente objecto de intervenção cirúrgica. Para lhe ser removido o corpo estranho. Que era uma gaze que descuidadamente foi deixada pela anterior equipa médica. E que desencadeou um processo inflamatório interno. Num dos mais conceituados hospitais nacionais. Porventura com uma experimentadíssima equipa cirúrgica. Mas que falhou. Que errou. Onde não era admissível falhar ou errar.

Pesquisa-se o tratamento para certo tipo de patologias de origem cancerígena. Pequenos avanços são sempre grandes conquistas. Mas esquecer a gaze dentro do corpo não deve fazer parte do protocolo dessas investigações. Porque contar os elementos utilizados nas intervenções cirúrgicas devia fazer parte da rotina médica.

F.é uma mulher calma e de alguma forma confortada com a seu azar. Não se lhe encontra um registo de revolta ou de queixume. Apenas de lamento. Dividida, entre se deve apresentar queixa de quem foi negligente e incumpriu os seus deveres ou apenas informar superiormente para que o mesmo não volte acontecer.Em Portugal. Noano de 2011.

 

José Manuel Constantino 

 

(Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro)

publicado por José Manuel Constantino às 09:29

20
Jun 11

André Villas-Boas vai ou não para o Chelsea?

Fernando Nobre é ou não eleito para Presidente da AR?

publicado por José Manuel Constantino às 15:17

17
Jun 11

Na imprensa todos os dias há um novo reforço para o Benfica. E com o inicio da época ainda está longe tudo aponta para que o folhetim continue.Com a constituição do governo psassa-se algo equivalente:todos os dias há um novo ministeriável. A sorte é que a época começa já.

publicado por José Manuel Constantino às 14:54

16
Jun 11

Que os candidatos a juízes e procuradores  copiem nos testes, sendo grave, não é infelizmente situação incomum. Em todas as esferas sociais há, seguramente , gente com elevada responsabilidade pública que o fez. E os agora sinalizados não terão recorrido à técnica do copianço apenas naquela circunstância. Chegaram a candidatos a elevadas responsabilidades no sistema de justiça com, provavelmente, um histórico na matéria. Mas mais surpreendente é a decisão sobre o ocorrido: atribuir a nota dez, a todos. Diz o preparado Eloy : porque não há tempo para mandar repetir o teste. Premeia-se deste modo quem copiou e sanciona-se quem o não fez e eventualmente teria direito a uma nota mais elevada. E pelo caminho vai dizendo que o teste até nem era muito importante. De facto, o teste não é o mais importante. O importante é a formação e o carácter de quem faz batota e quer continuar com a possibilidade de exercer funções de juiz ou magistrado do ministério público. E quem permite que isso aconteça. Não há ninguém neste país que mande para casa quem decidiu desta forma?

publicado por José Manuel Constantino às 10:01

15
Jun 11

Hoje é um dia de festa. É inaugurada a  beach de Mangualde.Com água salgada e tudo. E relva. E palmeiras. E gente bronzeada. E provavelmente bolas de Berlim. E nadador salvador.E jogo do disco. E raquetes. Mas sem peixe-aranha. E sem preia-mar. Mas muito turismo. E uma nova medida de atracção das gentes. Um must. E sobretudo um novo conceito. Para alavancar a coisa. As autarquias já tinham piscinas, rotundas, multiusos, parques zoológicos, festivais de verão, estátuas, telenovelas, escorregas e ondas, sambódromos e tudo o mais que a modernidade exige e o dinheiro dos contribuintes aguenta. Chegam agora as praias. E para quem comprar duas entradas a terceira é de graça. E se adquirir gelados o desconto é ainda maior.Valha-nos isso!

publicado por José Manuel Constantino às 09:24

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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