Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

29
Jul 11

 

       No Liceu o meu professor de desenho e trabalhos manuais obrigava os alunos a comparecerem de gravata. E se apresentavam camisola de gola alta baixava a gola para verificar se por baixo estava colocada a gravata. A quem a não tinha aplicava falta de material. Era uma excepção naquele liceu. Mas não era excepção, mas regra obrigatória, a proibição das raparigas usarem calças.

Os tempos mudaram. Tanto que quando na universidade fui professor, alguns alunos tinham por hábito surgir nas aulas de boné na cabeça. Explicava-lhes que fui educado e habituado a outras regras e que nas minhas aulas não permitia alunos com aquele modo de se apresentarem. Nunca nenhum se recusou a cumprir a minha orientação ou sequer a questioná-la. Nunca perguntei, mas pensei para comigo: se nas minhas aulas se apresentam de chapéu na cabeça provavelmente há outras aulas onde isso também ocorre. E, porventura, onde esse modo de se apresentar é admitido pelos meus colegas. Se o não fosse o normal seria retirarem o boné da cabeça sempre que entram na sala de aula.

       Tudo isto a propósito de uma universidade (a Católica) ter sentido a necessidade de emitir uma orientação sobre o modo como os seus funcionários, professores e alunos se apresentam vestidos atendendo a que os hábitos actuais levam a que muitos se apresentem como se fossem para a praia. Embora muitos outros, optem por um vestuário, aos meus olhos, igualmente bizarro mas de tradição académica (capa e batina).

       Em algumas décadas passámos dos oito para os oitenta. De um rigor absolutamente despropositado para um laxismo de equivalente sentido.

        O modo como nos vestimos é sempre sinal da época em que vivemos. Mas esse modo também não pode ser indiferente ao que fazemos e aos espaços e instituições que frequentamos. E aí pode ser tão absurdo a rigidez como o laxismo das regras. Como em tudo na vida uma boa dose de bom-senso é quanto basta. E o bom-senso não se legisla. Pratica-se pelo bom exemplo. E na escola ele deve começar por quem a dirige e pelos próprios professores. No modo como se apresentam. E nas regras que criam aos seus próprios alunos. E estabelecendo a diferença entre um local de trabalho e um local de recreio.

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 11:45

28
Jul 11

Se há pessoas cuja escolha deveria requer elevados padrões de exigência e de prudência são as que trabalham nos serviços de informações. Pelo que sabem e pelo que podem fazer com o que sabem. Quando surgem notícias a indicar que esta ou aquela personalidade pertence à organização X ou Y ,ou que a partir de determinado momento passou a trabalhar para entidades privadas onde o acesso a informação privilegiada é um factor decisivo nos negócios em que está envolvida, como garantir que o que sabem não é utilizado? Não deveria existir, para quem trabalha nos serviços de informações, limitações a certo tipo de práticas, como a filiação em partidos políticos, em sociedades fraternais (perdoe-se por pudor linguístico o eufemismo…) e a envolvimentos profissionais?

publicado por José Manuel Constantino às 12:46

27
Jul 11

Não é preciso ser oposição ao actual governo para se encontrar, neste curto espaço de tempo de governação,decisões que são passíveis de critica. E uma delas é precisamente a contradição em matéria de impostos entre o que, o PSD e o CDS, defenderam há três meses e o que passaram a defender agora enquanto governo. Natural será que a oposição reaja e chama atenção para a contradição. E que quem cultiva uma posição independente igualmente o registe. Estranho é que, quem apoia o governo, entenda que o melhor modo de o defender é não ter uma posição serena e objectiva para além dos calculismos circunstanciais. E copie do PS, o pior em matéria de relacionamento com os governos do José Sócrates. E entenda que apoiar um governo é não exercer qualquer formulação crítica. O espectáculo que,ontem, na Sic Notícias, Teresa Caeiro proporcionou no debate com Alfredo Barroso ,demonstra, infelizmente, que o autismo político é contagioso quando se passa da oposição para o governo.E que,também não ajudam a precipitação na resposta às provocações de quem passou à oposição .

publicado por José Manuel Constantino às 09:47

26
Jul 11

É verdade que os salários são elevados. E num momento de crise é fácil e popular bater nos salários dos administradores. Mas não foram os próprios que os definiram. E existem contratos E se os contratos não são cumpridos, por vontade ou omissão alheia aos contratados, há que os ressarcir. Em vez de andar a discutir remunerações talvez fosse mais sensato discutir se o Pais tem,neste momento, condições para se candidatar a este tipo de eventos. Que, naturalmente, ao serem aceites, têm regras, entram numa lógica concorrencial com outras cidades e países europeus e não se compadecem com certo tipo de discussões na praça pública.

publicado por José Manuel Constantino às 15:38

25
Jul 11

PSD e PS são,a partir de agora, dirigidos por ex- líderes das respectivas juventudes partidárias. Ou seja, daquelas organizações políticas sobre as quais recaem as criticas de que são meros instrumentos de construção de carreiras políticas e de acesso ao poder. Um e outro têm agora a possibilidade de demonstrar ao país que valeu a pena chegar onde chegaram.

publicado por José Manuel Constantino às 16:20

22
Jul 11

Entre Assis e Seguro há seguramente diferenças. No estilo, na densidade e preparação intelectuais, na relação com o socratismo e com o aparelho partidário. Mas existem diferenças no plano programático? Existem diferenças nas propostas de actualização do ideário socialista? E no que propõem para o País, o que os separa? O que verdadeiramente vai resolver a disputa é a empatia dos votantes socialistas com cada um dos candidatos. Coisa que Seguro percebeu e Assis não gostou: os afectos.

publicado por José Manuel Constantino às 15:11

21
Jul 11

Acho muito curioso este tipo de notícias. E interrogo-me sempre porque a elas escapa o Presidente do Centro Nacional de Cultura que é simultaneamente Presidente do Tribunal de Contas. E que na qualidade de Presidente do Centro Nacional de Cultura recebe dinheiros públicos de entidades que estão sob a sua tutela na qualidade de Presidente do Tribunal de Contas bem como de entidades públicas e privadas que mantêm negócios com o Estado. Não estando em causa a honestidade das pessoas só há conflitos de interesses no caso dos deputados?

publicado por José Manuel Constantino às 14:56

20
Jul 11

Respigo de um outro blogue (Jugular).Depois da nossa Assunção Cristas eliminar as gravatas e da Universidade Católica proibir o vestuário de tipo desportivo ou de lazer eis que o padre de Maceió se recusa a celebrar casamento por noiva estar pouco coberta.

publicado por José Manuel Constantino às 15:57

19
Jul 11

Multiplicar por dez os rendimentos. Se a solução aqui deu resultado, por que não, numa situação de crise como a que vivemos ,alargar a experiência à escala do País?

publicado por José Manuel Constantino às 11:30

18
Jul 11

Há 150 chefes da PSP com direito a carro e motorista. Num universo de alguns milhares de polícias a média até nem deve ser alta. E seguramente muito abaixo da de outros sectores da administração pública. Onde a prática é livre e em muitos casos de claro abuso.

publicado por José Manuel Constantino às 12:19

Julho 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12
16

17
23

24
30

31


Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
pesquisar
 
blogs SAPO