Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

31
Mai 12

 A coisa até estava a correr bem para os lados do governo. Já ninguém queria saber se Miguel Relvas ameaçou a jornalista de divulgar com quem ela vivia; quantas vezes se tinha encontrado com Silva Carvalho e para quê. A agenda era toda ela ocupada com o relatório sobre as PPP’s e sobrava para o governo anterior. E o Expresso só sairia no sábado.Esta notícia vem estragar tudo. Afinal a acalmia foi mais curta que o previsto.

publicado por José Manuel Constantino às 16:40

25
Mai 12

Hoje, finalmente, sabe-se o que, na versão do Jornal Público, o ministro Miguel Relvas terá ameaçado divulgar: o nome do homem (de um partido da oposição), nomeando o partido, com quem a jornalista, autora da notícia, vive. Não sei com quem a jornalista vive. E se vive é lá com ela. E também não sei se esse viver tem alguma coisa de escandaloso ou que careça de uma reserva especial. Também não sei se o ministro disse o que o jornal diz, que ele disse. Mas uma coisa parece evidente e não é por este incidente: Miguel Relvas, o ministro forte deste governo, é o seu elo mais fraco.

publicado por José Manuel Constantino às 09:58

24
Mai 12

Itália. Gente sem esperança, cansada de lutar, ou esmagada por dívidas. Texto lacónico deixado como mensagem por alguém que se suicidou: às vezes a dignidade vale mais que a vida.

publicado por José Manuel Constantino às 15:58

23
Mai 12

Esta senhora era Presidente do Instituto Português do Desporto e da Juventude. Pediu para ser exonerada. Exoneração aceite. E a seguir foi nomeada como vogal para o Instituto de que era presidente e de onde tinha pedido para ser exonerada. Durante algum tempo quis ser presidente depois mudou de opinião e agora só quer ser vogal? Não. Tudo foi visto e previsto neste termos. É é tudo legal. Mas moralmente inaceitável. Porque à custa de uma clara instrumentalização das disposições normativas. O que se invoca esconde o que se preparou.

publicado por José Manuel Constantino às 10:51

17
Mai 12

A burocracia vive de rituais. Um deles é o das reuniões. É uma espécie de missa. E como os burocratas são muito religiosos praticam-na com assiduidade e várias vezes ao dia. Têm hora marcada para começar,o que nem sempre é respeitado, mas não têm para terminar. Mantem-se assim ocupados numa parte do seu dia de trabalho. A partir de determinado momento as reuniões são mais importantes que o motivo que as convoca. Para alguns ter um dia de muito trabalho é ter passado o tempo em reuniões. Normalmente ninguém se interroga sobre os indicadores de produtividade ou sobre a relação do tempo gasto com o resultado alcançado. Ou se não seria possível obter os mesmos resultados como menos reuniões e menos horas em reunião.

Se no setor privado a situação tem algum controlo no setor público é, no geral, de total descontrolo. Reúne-se por tudo e por nada. Não se preparam as reuniões. Não se sabe como conduzir as reuniões. As conclusões nem sempre são claras. Muitos estão nas reuniões e não abrem a boca, salvo para bocejar. E muitas vezes sai-se das reuniões com a sensação de tempo perdido. Mas a saga continua. Horas, dias, anos são passadas em reuniões.

Os burocratas vivem do poder e da autoridade sobre este tipo de rituais obsoletos. Alguns estão sempre em reunião. É difícil falar com eles. Papeis para a frente e papeis para trás. Mails e fotocópias são o seu espaço lúdico. Obedecem sempre a uma estrutura organizacional geométrica e elegantemente definida. E qualquer assunto resolvido precisa de horas de reuniões antecedidas de despachos invariavelmente “à consideração superior”. Há mesmo setores da administração pública-onde se vive as reuniões em regime permanência. Entra – se de manhã e sai-se à tarde sempre em reuniões. Quanto custa ao país, as reuniões? Ninguém sabe.

Naturalmente que não passará pela cabeça de ninguém acabar com as reuniões. Mas deveria passar pela cabeça de muitos reduzir o seu número e o tempo de duração. O que só é possível se reduzir a complexidade do ato de decidir e melhorar o desempenho organizacional. Baixar custos com as organizações é também simplificar métodos de trabalho libertando as pessoas para mais tarefas. E ocupando-as menos tempo em muitas outras. Por exemplo, em reuniões.

 

Texto publicado hoje no Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 10:35

16
Mai 12

Há, nesta atitude, qualquer coisa de baixos sentimentos que habita no interior da dimensão humana. É uma atitude que mais do que indignação me suscita uma reação de incredulidade. Como é possível?

publicado por José Manuel Constantino às 17:46

15
Mai 12

Os que apontam que a Europa, mais do que uma crise financeira e das dívidas soberanas vive uma crise de politicas e de liderança na construção do projeto europeu, parecem ter razão. Se a vontade europeia se resumiu durante muito tempo à adição das vontades de Merkel e Sarkozy  o gesto de  Hollande de escolher Merkel para fazer  a primeira visita de Estado é um péssimo sinal. E é sobretudo um gesto que contraria tudo o que andou a dizer sobre o projecto europeu assente a na solidariedade entre todos países e na igualdade de manifestação de vontades.

publicado por José Manuel Constantino às 21:51

14
Mai 12

O que sabemos sobre os bastidores da vida pública é bem menor do que imaginamos. E não me refiro a matérias que pela sua natureza pertencem a um círculo restrito de conhecimento. Mas aquelas que não estando classificadas como reservadas marcam a vida de uma democracia. Se a degradação das relações de confiança entre governantes e governados já é grande o que seria se soubesse muito do que se não sabe? Se nos serviços de informação se passa o que tem sido divulgado o que se passará, em matéria de promiscuidade e tráfico de influências, em outros setores que pela sua natureza não têm a mesma reserva?

publicado por José Manuel Constantino às 11:06

11
Mai 12

Timidamente, quase que a pedir licença, sempre se vai dizendo, animados por alterações políticas na Europa, que muito do pensamento económico dominante trata a economia não como uma ciência social, mas como uma ciência exata. E, por via disso, colonizou a política. E esta deixou-se ficar refém da economia. Recolocar a economia real ao serviço da política obriga a reconhecer que o sucesso de uma economia não é uma estrada de sentido único.E que cabe à política escolher a direção.

 

publicado por José Manuel Constantino às 11:59

10
Mai 12

A atribuição, por parte do ministro Miguel Relvas, do Colar de Honra ao Mérito Desportivo ao agente de jogadores de futebol Jorge Mendes, também designado como empresário, é a prova de que eram infundadas as notícias do El País que davam a Ilha de Jersey como uma das sedes para os respetivos negócios.

publicado por José Manuel Constantino às 17:02

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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