Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

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Os tempos que vivemos exigem redobrada atenção dos titulares de cargos públicos designadamente de cargos políticos. Os tempos são propícios a radicalismos e a demagogias. E se os políticos não percebem que tudo quanto fazem é ainda mais escrutinado que em outras ocasiões, então, o risco de se porem a jeito é grande. E depois não se podem queixar. É o caso do grupo parlamentar socialista cujo incómodo com o dossier das viaturas é indisfarçável

O problema das viaturas do Estado é em si mesmo um tem delicado. Pelo que custam mas sobretudo pelo modo como são utilizadas. Valem por mil discursos sobre o modo como os bens públicos são administrados. Recordo-me de um ministro, que tendo abandonado o governo, fez publicar no Diário da República um agradecimento ao respetivo motorista destacando as suas qualidade de serviço entre as quais o apoio que sempre prestou à família do governante. É indecoroso o modo como as viaturas são utlizada sendo evidentes, em muitos casos, utilizações abusivas e de claro peculato. Mas neste particular a situação é outra.

O orçamento da Assembleia da República é desde logo algo indecoroso. Ter de ser os contribuintes a financiar o grupo desportivo do Parlamento ou a associação de antigos deputados é lamentável. Menos o é a necessidade adquirir viaturas ou o seu aluguer. Os deputados precisam de viaturas para o trabalho parlamentar e o problema não esta na necessidade de as assegurar. Mas ao não impor qualquer limite ao valor comercial das mesmas (coisa que o PS legislou e bem, no governo anterior, por exemplo, para os administradores das empresas publicas e municipais, ainda que a maior parte tenha ignorado essa obrigação) e ao ter optado por gamas altas é óbvio que os deputados socialistas se expuseram às criticas. E com razão. A dignidade das funções e a segurança técnica das viaturas não têm a ver com a cilindrada das viaturas e eram possíveis ser garantidas com viaturas de outras marcas e mais baratas. Porventura sem o status das marcas escolhidas. Mas com igual grau de satisfação para as necessidades que existem.

Um homem sensato e inteligente como o Francisco Assis não percebeu o que se passou. E  um seu colega, Carlos Zorrinho, não encontrou  outra explicação  para além de que a democracia tem custos. Pois tem. E um deles é o de fazer despesas com o dinheiro dos outros!

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 10:26

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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