Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

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Mar 12

O Presidente da República terá razões para escrever o que escreveu a propósito de José Sócrates. Mas mais importante do que fazer um juízo de valor sobre o que o Presidente da República acaba de escrever em relação a um ex-primeiro ministro é discutir a sua oportunidade. E claramente, aqui, o Presidente da República errou.

O país vive uma delicada situação social fruto de constrangimentos financeiros muito graves que o obrigaram a recorrer a uma ajuda externa em condições de extrema severidade. Os partidos que assinaram os termos dessa ajuda tudo devem fazer para minorar os seus efeitos. E nenhum deles pode lavar as mãos na responsabilidade pela situação atingida. Não podem deixar de ser solidários com o que assinaram.

O exercício presidencial deve fomentar esse sentido de responsabilidade evitando sentimentos de reserva ou de quebra à prática dessa responsabilidade. O que obriga o Presidente da República não a estar acima de questões políticas domésticas mas a geri-las de modo a não acrescentar problemas aos problemas já existentes. Deve para tanto ser um fator de aproximação e o seu exemplo valerá por mil palavras. Colocar no espaço público o modo como um ex-governante se posicionou em relação a esta ou aquela matéria é um risco muito elevado para a magistratura presidencial. Mas também para a defesa da dignidade do cargo. Que requer prudência e discrição e dispensa polémicas que, nesta altura, pouco acrescentam, à governabilidade do país.

O nosso caminho é estreito. Pouco ganharemos se não nos concertarmos no essencial. O país precisa de um Presidente da República que atente à realidade social e que ajude aos seu atores políticos e sociais a superar as dificuldades. Dispensa um presidente que avoque o ajuste de contas por mais razões que lhe assistam. Dificilmente o pais ganhará com discussões à volta da responsabilidade deste ou daquela ator político que os portugueses avaliaram e julgaram, quando votaram. Provocar José Sócrates é, de um modo ou de outro, provocar o PS.É, neste momento, um exercício dispensável para o país. E o Presidente da República não deve alimentar este tipo de polémicas.

Cavaco Silva nas suas memórias políticas terá então oportunidade de escrever o que por bem entender e, porventura, acrescentar algo mais. Mas não, agora, como Presidente da República.

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 09:39

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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