Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

06
Set 12

Na noite, dos telejornais do dia em que Portugal assinou o acordo com a troika, PS e PSD rivalizavam no sentido de chamarem a si a responsabilidade pelo objetivo alcançado. José Sócrates garantia que havia sido possível salvar coisas como os ordenados dos trabalhadores da função pública e o PSD que, na altura, era oposição, pela boca de Eduardo Catroga, fazia passar a ideia que a excelência do alcançado se devia à ação do PSD. Quando o PSD chegou ao Governo apressou-se a defender que era preciso ir para além da troika. Aqui chegados há qualquer coisa que não bate certo. O PS parece que não assinou e não se comprometeu; o PSD assinou, comprometeu-se, foi até mais além mas falhou os objetivos a que se propôs; a troika   fez mal as contas mas lava as mãos do que preparou e afirma que o programa de ajuda externa é da responsabilidade das autoridades portuguesas. E não saímos disto quando se preveem já novas medidas de austeridade.

Sabemos que vivemos tempos difíceis. E que quem governa tem imensas dificuldades pela frente. Mas quem governa com maioria e com um país que interiorizou que gastou mais que o que tinha e que, agora, eram inevitáveis medidas de sacrifico e contenção tem, apesar de tudo, algo a seu favor. E teve desde logo um sentimento generalizado de rejeição do anterior governo e particularmente de José Sócrates. O que valeu para uma imensa margem de manobra que o tempo tem vindo a fazer desaparecer. Desde logo porque as primeiras medidas de austeridade violavam promessas eleitorais. Mas sobretudo porque parece que todos se enganaram quanto às medidas a adotar. E por muito que a crise europeia ou o chumbo do Tribunal Constitucional valham ainda como razão explicativa para o insucesso governamental (a derrapagem do défice é atingida mesmo com o corte salarial que o TC considerou inconstitucional) a vida do governo e dos portugueses, daqui para a frente, vai ser ainda mais difícil.

O anúncio de que os partidos da coligação governamental não tinham chegado a acordo para alterações à lei eleitoral autárquica e os recados de Paulo Portas ao seu parceiro de coligação, a propósito do caso RTP, indicam que instabilidade já não diz respeito apenas à vida dos portugueses mas que chegou e ameaça a própria base de apoio governamental. Ou seja, estão criadas as condições para um avolumar de dificuldades. Será pedir muito que pensem menos neles próprios e mais no País?

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 11:28

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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