O estudo ontem apresentado em Bruxelas quanto à importância da cultura na economia dos países europeus ajuda a responder aos que, sistematicamente, acusam os agentes e produtores culturais de viverem num regime de permanente subsidio – dependência perante o Estado. Não que essa realidade não exista. Mas está tão presente na cultura como o está na agricultura, nas pescas, no turismo ou no desporto. O problema é outro. É o de saber se deve ou não o Estado financiar actividades que pela sua própria natureza, custos e importância social não podem subsistir sujeitas ás simples regras de mercado. A produção cultural, no caso português, é o terceiro sector que mais contribui para o PIB. Mas a apropriação cultural, como contributo para a elevação e formação culturais( suporte necessário a um exercício de cidadania responsável), não é mensurável. Razões mais do que suficientes para considerar que algumas polémicas caseiras sobre a apoio à cultura e aos agentes culturais são caprichos e teimosias pessoais que deveriam fazer corar de vergonha quem os promove e alimenta.