Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

09
Fev 06
Um estudo prospectivo, dirigido por uma equipa francesa do Inserm-Institut Gustave Roussy e abrangendo mais de 100.000 mulheres, conclui que a actividade física reduz o risco de cancro da mama. O resultado deste estudo é revelado numa das últimas edições de La Lettre de L'Economie du Sport e a investigação baseia-se numa actividade física continuada, e não episódica, e distribuída ao longo da semana.Esses efeitos redutores ocorrerão mesmo em populações com antecedentes familiares ou outros factores de risco do cancro da mama.
Esta constatação vem confirmar uma linha de investigação que defende a importância salutogénica da actividade física moderada e os ganhos obtidos no plano da saúde( e da economia) das populações e da qualidade de vida com uma comunidade fisicamente activa. E, uma vez mais, confirma que os limites da intensidade e da frequência das actividades balizam a perda ou o ganho no plano da saúde.
Se o problema da frequência da actividade permanece como um elemento essencial para que os factores induzidos possam ter reflexos positivos na saúde é sobretudo ao nível da intensidade que os limites são mais estreitos.O limiar de intensidade não deve ultrapassar o nível moderado.
Razão pela qual, de há muito, se abandonaram os programas do tipo “desporto para todos” como meios de promoçao de estilos de vida saudáveis optando no plano da promoção da saúde por programas de actividades físico - desportivas. Não é uma simples alteração semântica mas o resultado do conhecimento de que, em algumas dimensão da prática do desporto ( e não apenas na alta competição), é elevado o factor de risco para a saúde.
Os especialistas nestas matérias sabem que o desporto não foi pensado, organizado e desenvolvido para”dar saúde às pessoas”. No desporto a saúde é um pressuposto para o rendimento não é um objectivo a alcançar pelo rendimento.
Aproveitar o efeito mobilizador das práticas do desporto para a promoção de uma vida mais saudável requer, para que os resultados não sejam contrários aos pretendidos, uma clara desconstrução dos modelos dominantes do desporto e a sua adaptação a formas e modelos que sejam propiciadoras de ganhos no plano da saúde. De modo a que se não instale a ideia, generosa mas falsa, de que mais desporto é equivalente a mais saúde.

publicado por José Manuel Constantino às 09:07

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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