Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

14
Fev 06
Dizem, mas não sei se é verdade, porque se diz muita coisa que o não é, que em muitos restaurantes, o almoço do dia de hoje, tem um movimento inusitado de casais ultrapassando, em muito, os níveis habituais de frequência. Será mesmo difícil fazer reserva de mesa. Ao jantar o movimento também é significativo mas em muito menor escala. Fenómeno similar ocorreria com os locais de venda de flores mas estes com uma frequência mais acentuada no período da tarde ou seja, do regresso a casa. Responsável por esta súbita corrida dos portugueses aos restaurantes e floristas estaria o dia de S.Valentim, conhecido como o dia dos namorados.
É provável que haja alguma ponta de verdade nesta associação entre o dia dos namorados e as refeições. Parece mesmo haver uma diferença entre o almoço e o jantar que não é só atribuível ao horário, ao local e á companhia. Ao almoço privilegiar-se-iam os namoros clandestinos e ao jantar os oficiais. Recordo-me de um amigo, muito namoradeiro, que numa ocasião teve de almoçar duas vezes, lanchar outras tantas e ainda jantar com a esposa. Mas isto, creio, são excepções.
Mas reconheço que não é fácil planificar este dia. Existem tantos livros sobre planificação mas não conheço nenhum que trate em particular do planeamento do dia de S.Valentim. Também não conheço a realização de conferências ou de palestras que, com conhecimento de causa, tratem do assunto. Como se costuma dizer, existe um certo vazio.
Antigamente namorar era uma espécie de estágio para o casamento. E só se namorava uma pessoa de cada vez. Agora até o casamento se considera a continuação do namoro por outros meios. Mas também há, dizem, e eu acredito, quem namore para além do casamento. E também quem namore mais do que uma pessoa em simultâneo, mas em momentos distintos. Por outro lado, o conceito de namoro evoluiu e hoje também se considera namorar, coisas como o engate, o esquema, o caso, o envolvimento, a ligação, tudo vocábulos para a explicar que duas pessoas andam enroladas, passe a metáfora que é um pouco brejeira. Mas que se aceita, porque diz tudo.
Como se isto não fosse suficiente o namoro acolheu também a nova realidade dos homossexuais, bisexuais e transsexuais que neste dia de S.Valentim também têm o seu direito a namorar e a almoçar ou jantar, conforme os casos. Confesso que não sei se, como no caso dos heterossexuais, o almoço daqueles nossos concidadãos se destina a um público diferente ao jantar, mas é provável que ocorra a mesma singularidade e distingam os namoros oficiais dos outros.
No dia que hoje assinalamos, esta alteração de hábitos e costumes na arte de namorar (porque tudo tem a sua arte) constituiu-se como um forte aliado do comércio, sobretudo da restauração, das floristas, mas também das perfumarias. O que é bom para a economia e portanto para o país.
Confirma-se deste modo, para quem ainda tinha algumas dúvidas, que o namoro é um aliado do desenvolvimento.




publicado por José Manuel Constantino às 08:32

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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