Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

17
Fev 06
Os nossos ouvidos proporcionam-nos dois sentidos vitais, mas muito diferentes: a audição e o equilíbrio.
Ouvir e equilibrar são duas necessidades nem sempre compatibilizadas. Podemos ouvir bem ou até de ouvir de mais, mas viajarmos de barco e enjoarmos, parece que por efeito da alteração dos sistemas que comandam o equilíbrio.
A ser assim, um bom ouvido não é sinónimo de um bom equilíbrio. E um bom equilíbrio não é garantia de um bom ouvido. O que coloca uma questão curiosa que é a de possuirmos um órgão que funciona bem para umas coisas e não funciona para outras, o que é diferente, apesar de tudo, de um órgão que só funciona às vezes, ou que, sempre tendo funcionado bem, depois, parece que já não quer funcionar.
Mas o ouvido não serve apenas para ouvir e para equilibrar. Tem também outros usos e sentidos. Fazer ouvidos de mercador significa fingir que se não ouviu ou fazer-se desentendido. Ser todo ouvidos é prestar atenção. Ter os ouvidos cheios é ter sido influenciado por alguém ou ouvir muitas vezes a mesma coisa. Empranhar pelos ouvidos é dar atenção a mexericos ou acreditar em tudo o que se ouve. Conhecer um assunto de ouvido é saber por transmissão oral.
Oral é também uma palavra de agregação polissémica com vários sentidos e significados. Quando era jovem estudante detestava ir à oral, que era o exame sob a forma de interrogatório. Mas nos tempos que correm, oral é um adjectivo carregado de significações interessantes e que, em certos momentos, homens e mulheres gostam de conjugar .
Curiosamente com as mesmas letras ou seja o o, o r, o a, e o l, podemos constituir a palavra ralo que é um insecto ortóptero muito nocivo da família dos Grilídeos, ou ralo, como o buraco ou orifício do bidé que é uma bacia oblonga que serve para, homens e mulheres lavarem as partes, ou seja as zonas genitais. Ou ainda ralo significando pouca espessura ou densidade que é uma coisa que acontece com o cabelo quando começa a enfraquecer e a cair. Existe ainda ralo como conjugação do verbo ralar que significa apoquentar ou afligir.
Não é só o ouvido que serve para mais de uma coisa. Com as expressões pode acontecer o mesmo. Têm significados distintos de acordo com as circunstâncias. Substituir um alto cargo da administração pública uma semana depois de lhe ter dado posse era, no governo de Santana Lopes, uma trapalhada. Idêntica ocorrência no governo de José Sócrates é uma acto de normalidade democrática. Paradoxos da língua(e da política) portuguesa!
publicado por José Manuel Constantino às 09:05

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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