Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

22
Fev 06
A frota automóvel do Estado não é apenas o parque de viaturas ao serviço de ministros e secretários de estado. São milhares de meios espalhados por tudo quanto é administração pública. A situação é miserável. Viaturas com milhares de quilómetros e com custos de manutenção elevados.Consumos de combustível excessivos. Viaturas que não passam nas inspecções periódicas. Muitos serviços sem viaturas. Muitos trabalhos que não são feitos porque não existem viaturas.
Seria interessante saber quanto gasta o Estado na manutenção do respectivo parque de viaturas. Mas a experiência de muitos, entre os quais nos incluímos, é suficiente para saber que num grande número de situações era mais barato ao Estado adquirir novas viaturas (até pelas vantagens dos sistemas de leasing) do que manter as antigas. Uma boa gestão da frota automóvel do Estado assim o aconselharia porque se traduziria numa significativa economia de custos.
Numa medida que só agrava as despesas de funcionamento do Estado o actual Governo determinou o congelamento da aquisição de novas viaturas e da decisão deu conhecimento para o exterior da administração pública.
É uma decisão demagógica que sai cara ao país. Jogando com um sentimento da opinião pública, que associa viatura do Estado a mordomia, procura a popularidade fácil ao considerar que adquirir novas viaturas é um gasto que não é prioritário. Mas só quem não conhece a situação pode pensar que esta é uma medida de poupança. Não o é, e só aumenta as despesas do Estado ou seja, prejudica o país.
Agora, e invocando a carência de motoristas, o ministro das finanças pretende reduzir o número de servidores do estado que podem usufruir de motorista. No actual enquadramento legal só é possível, para além do pessoal dos ministérios e gabinetes, a directores gerais e equiparados situação que está longe de ser cumprida porque são muitos, os que na administração pública, não tendo direito a motorista, o utilizam para fins estranhos ao serviço público. A medida anunciada é positiva O que é absurdo é a necessidade de um director geral ou equiparado, se precisar de utilizar uma viatura e não dispuser de motorista, ter de pedir autorização ao ministro das finanças cujo despacho tem direito a publicação no Diário da República.
Mas o facto de a medida ser positiva, em nada altera a questão de fundo que é o da gestão do parque automóvel do Estado não poder continuar a consumir recursos com viaturas envelhecidas, viaturas apreendidas e aqui e ali com aquisições topo de gama dos que tendo expediente e conhecimentos criam para eles as respectivas excepções.
publicado por José Manuel Constantino às 09:03

Fevereiro 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
18

19
25

26
28


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
pesquisar
 
blogs SAPO