Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal, terá dito, segundo a imprensa de hoje, Pedro Passos Coelho. A frase, que cai sempre bem, aparentemente, pode querer significar desapego ao poder e rejeição de políticas eleitoralistas. Mas revela contudo, a ser verdade, um enorme desaforo e desprezo para com a vontade que é expressa pelo povo quando vota. E assenta numa conceção política que crê numa razão iluminada detida por uns poucos, independentemente da vontade expressa pela maioria. Admito até que não era bem isso que o primeiro-ministro queria dizer, mas haja alguém que lhe explique, que desprezar as eleições ou dizer que não interessam é menorizar um ato basilar da democracia.Preocupe-se ,isso sim, quando elas ocorrerem, em vencê-las, com um programa em que faz o que diz, e não com um em que faz, o que não disse que ia fazer.