Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

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Dez 11

Não é novidade para ninguém que o país precisa de medidas que equilibrem as contas públicas e reduzam a dívida externa quer do Estado, quer dos privados. E que, num contexto em que houve necessidade de recorrer a ajuda externa a governação está, em parte, presa às condições que acordou para poder receber essa ajuda.

As medidas quer de aumento de impostos, quer do valor de aquisição de bens e serviços essenciais, penalizam, por isso, a generalidade dos cidadãos, mas prejudicam acima de tudo os que dispõem de menores recursos financeiros.

As opiniões dividem-se sobre a natureza e a profundidade das medidas. E alguns questionam a via de primeiro empobrecer ainda mais o país e só mais tarde curar do seu crescimento. Porque o esforço será bem maior dado que o ponto de partida será mais baixo. Mas até aqui estamos no domínio da política e no confronto entre diferentes modos de enfrentar e sair da crise.

O que surpreende é que num quadro de empobrecimento crescente dos portugueses e com níveis elevados de desemprego existam governantes que anunciam cada nova medida de austeridade rindo-se como se de uma festa se tratasse. Não se espera que chore, mas exige-se que tenha presente que está a mexer com a vida das pessoas e as respeite.

Longe vai o tempo em que Pedro Passos Coelho, então líder na oposição, pedia desculpa aos portugueses por ter andado a dizer uma coisa e depois comprometer-se com outra, com o governo de então. Era um acto de humildade, raro em política, mas que demonstrava a franqueza de reconhecer que não era possível defender ser levado a sério andando a dizer uma coisa e a fazer outra.

Nos tempos que correm já é pedir muito que se respeitam os compromissos assumidos. Mas não é pedir de mais, que exista alguma sensibilidade social e alguma preocupação humanística, quando se anunciam medidas que se sabe vão penalizar pessoas e famílias e onde o ambiente é mais de festa

Será pedir muito que tenham presente que cada medida, cada reforma, atinge pessoas, fere dignidades e abala sonhos e projectos? Será que a social- democracia e a democracia -cristã se limitam a uma governação de engenharia financeira onde já não há lugar para a dignidade da pessoa humana, nem para a esperança de uma vida mais digna?

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

publicado por José Manuel Constantino às 11:03

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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