Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

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Dez 12

Li há uns tempos na comunicação social que o governo britânico nomeara uma ministra para a forma física (fitness minister). Caroline Flint de seu nome.Com a sua nomeação o governo britânico pretendia lutar contra os níveis preocupantes de obesidade e esperava que, com as medidas a adoptar - um programa diário de actividade física para a população - os britânicos se tornassem pessoas mais saudáveis. “Fui nomeada à frente de um cargo que tem como objectivo estudar, junto a outros Ministérios, quais as políticas que podemos implementar para melhorar a qualidade da saúde da população", explicou. O que está correcto atendendo a que o sedentarismo tem causas multi-factoriais e a sua diminuição está muito para além da simples promoção da educação física ou do desporto como infelizmente é muitas vezes entendido e, em muitas situações, comercializado.

A qualidade de vida, e com ela a saúde não pode ignorar as determinantes sociais e ambientais em que muitos grupos sociais habitam, trabalham e vivem. Em países com elevados indicadores de pobreza o desenvolvimento económico é indispensável para que se alcancem padrões de bem-estar. E em cada país a qualidade de saúde das pessoas está relacionada com o seu padrão de vida. Em média, os mais ricos tendem a ser mais saudáveis e mais felizes que os mais pobres. Não há forma física se houver pobreza. Dito isto nada a criticar nos propósitos da nova ministra.

Elegante e charmosa, a fazer fé nas fotografias, Caroline Flint, não prescinde da prática regular de actividades físicas orientadas para a saúde. Vai, por isso, falar e apelar ao que faz. Nem podia ser de outro modo. A promoção da leitura não pode ter como referência alguém que não lê. A promoção da luta anti-tabágica alguém que fuma.Com a actividade física, com o exercício e com o desporto passa-se o mesmo. Em Portugal, por exemplo, o índice de sedentarismo dos portugueses baixaria significativamente se todos quantos dizem o que os outros devem fazer, começassem eles próprios por fazer. Até porque não há palavras que valham um bom exemplo.

 

 

Publicado na edição de hoje do Primeiro de Janeiro

 

publicado por José Manuel Constantino às 09:36

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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