Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

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Fev 06
A violência associada ao desporto é tão antiga quanto os próprios jogos e o desporto. É universal e não pertença de uma cultura, de uma época ou de um lugar concreto. Ao se estudar a história do desporto encontramos em todos os períodos comportamentos violentos dos praticantes, dos espectadores ou de ambos. Embora o nível de legitimação, grau e tipo de violência bem como o de apreciação e aceitação sociais se tenha alterado ao longo dos tempos, aquela é uma constatação incontornável.
O entendimento que temos deste problema põe em causa os fundamentos de uma certa sociologia de carácter determinista que, marcada pela influência do marxismo e das condições sócio-políticas em que surgiu o fenómeno do “hooliganismo”, atribui o fenómeno da violência a um reflexo de factores de natureza sócio-económica.
Esse determinismo ajudou a criar no imaginário colectivo a ideia de que os comportamentos violentos encontravam fundamento em problemas de natureza social (desemprego, pobreza, marginalidade, etc.) e menos em factores de natureza cultural e civilizacional, neles incluindo a evolução do próprio espectáculo desportivo.
As violências ocorridas com os Jogos da Antiguidade ou posteriormente no período da Idade Média tinham motivos distintos e contextos também diferentes. Mas era violência e física. O que aos olhos de hoje nos surge como violência insuportável e insustentável, tinha então um sentido próprio no contexto de uma cultura singular. E respondia a momentos particulares, organizados especialmente para exultar e expulsar as tensões sociais.
A necessidade de manutenção da ordem, a regulação e o controle do espaço de jogo e do espaço envolvente, não são fenómenos recentes e acompanham a história do próprio desporto. O reconhecimento deste facto, que tem uma desigual distribuição pelas diferentes modalidades desportivas, não pode conduzir-nos a uma espécie de banalização do fenómeno da violência associada ao desporto. O facto de ser uma presença constante ao longo da história do desporto não anula a necessidade de procurar compreender o que existe de distinto nos comportamentos violentos do desporto contemporâneo.
A grande diferença reside em que, no plano dos espectadores ,passámos de uma violência espontânea, ocasional e reaccional para uma violência premeditada, planeada e programada. Esta alteração, que começou a surgir por volta dos anos sessenta, traduziu-se numa modificação do comportamento de grupos de espectadores e esteve associada ao fenómeno do “hooliganismo”.Até então, as invasões de campo ou os comportamentos violentos entre os espectadores, estavam relacionados com incidências do jogo ou rivalidades mantidas. O que se lhe segue é qualitativamente diferente, porque é uma violência que exige preparação, reflexão e coordenação. E passa a envolver como norma prévia à violência física, a violência simbólica, gestual, gráfica e comportamental.
A este tipo de violência está associada a evolução do próprio espectáculo desportivo designadamente a indústria do futebol, através do aumento da sua mediatização e da crescente juvenilização dos seus públicos. Esta alteração, “do público que vai ao futebol”, a par da crescente autonomização da juventude e de um conjunto de sub-culturas juvenis alterou por completo o espaço social dos estádios e dos campos de futebol.
A organização dos grupos de jovens em claques, com os seus rituais, cânticos, coreografias e motivações distintas das do público tradicional criou uma nova realidade. Uma realidade que, por sua vez, adquiriu uma significativa visibilidade social através da mediatização dos eventos e desenhando uma lógica ambivalente: os comportamentos desviantes passaram a ser socialmente censurados, e ao sê-lo, abastecem e alimentam a transgressão, porque são reconhecidos como socialmente relevantes.(continua)
publicado por José Manuel Constantino às 08:35

O próprio Estado estimula os meninos marotos. Até dá subvenções. Estão à espera de quê? Que sejam os professores que dão aulas de Desporto e escrevem em jornais a educá-los? Não acreditem. Eles, falam, falam e não dizem nada.Defendem, como os iletrados, os seus clubes de forma apixonada. Falta-lhes, pois, visão periférica, mas essa também se aprende no Desporto. Mas, claro, andar à chuva e explicar como se faz um serviço balaneceiro flutuante ou como uma defesa, no andebol, por exemplo, se liberta de um 'bloqueio' não é para eles. Bom, bom é estar na Universidade e falar por cima do ombro. Explicar é que não é com eles. Pudera, não sabem. Logo, também não perecebem o que é a vilolência associada ao Desporto. Isso é que é violento! A. Cunha Flutuante
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(mailto:josemaria@telepac.pt)
Anónimo a 15 de Fevereiro de 2006 às 15:42

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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