Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,vem a vida e muda as perguntas

06
Fev 06
O Estado por um lado e o desporto por outro, vivem, cada um a seu modo, momentos de transformação, nem sempre perceptíveis, em que o traço comum é o de terem deixado de corresponder ao padrão de funcionamento ( e de satisfação) com que tradicionalmente eram avaliados.
A sensação que existe, e que está enraizada em termos sociais, é que o Estado não corresponde ao que dele se espera perante o desporto, mas que o desporto e as suas organizações também estão longe de perceber o que podem esperar do Estado.
A experiência ensinou-nos que tem sido mais fácil enunciar o problema do que resolvê-lo. E, por isso, apreciamos tudo quanto, projectando o futuro desportivo do país não tem necessidade de recorrer apenas à lógica do patrocínio ou da tutela do Estado.
O recente projecto de apoio à preparação olímpica celebrado entre quem é responsável por essa preparação (o Comité Olímpico de Portugal) e um conjunto de universidades portuguesas lideradas pela Faculdade do Desporto da Universidade do Porto rompe, esperamos que definitivamente, com a governamentalização da preparação olímpica e com o(s) governo(s) a meter(em)-se, onde não tinha(m) vocação, nem capacidade , impondo regras e procedimentos em nome de ser(em) a parte financiadora mais significativa.
A preparação desportiva deve ser deixada a quem tem responsabilidades desportivas e capacidades técnicas e científicas.Ao Estado cabe contratualizar objectivos de participação desportiva de acordo com os meios de apoio que está disponível para conceder, avaliar os resultados desportivos alcançados e a boa aplicação dos apoios concedidos.
O acordo celebrado é um exemplo de uma nova mentalidade com a qual só temos a ganhar. Aproveitar recursos, capacidades e conhecimentos que o país possui e colocá-los ao serviço de um projecto nacional é romper com décadas de comodismo, de falta de iniciativa e de desperdícios. É deixar de esperar que um outro ( o Estado) faça aquilo que é sempre melhor feito por quem tem sensibilidade e conhecimento.
Um Estado “inteligente” devia ficar feliz por não ter estado na fotografia. Mas se ficou infeliz é porque ainda não percebeu qual deve ser o seu papel. Paciência.

publicado por José Manuel Constantino às 08:41

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Autor: JOSÉ MANUEL CONSTANTINO
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